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Campo Grande, 15 de outubro de 2026

Casos de HIV entre idosos cresceram 80% em MS em cinco anos

  • 6 de dezembro, 2024
  • Cidades
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Dados da SES mostram que, em 2020, houve 25 casos de HIV em idosos, enquanto neste ano o total subiu para 45

Enquanto a expectativa de vida aumenta e a qualidade de vida melhora para muitos, um dado alarmante vem chamando a atenção das autoridades de saúde: o número de casos de HIV entre idosos no Brasil cresceu exponencialmente nos últimos anos. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, houve um aumento de 416%  em cinco anos, no número de novos casos entre idosos década. Esse cenário exige uma urgente revisão das políticas públicas de saúde e uma maior atenção aos cuidados com a saúde sexual nessa faixa etária.

Teste rápido de HIV é feito com pequena amostra de sangue coletada do dedo (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Em nota, a secretaria de saúde atribuiu o crescimento ao aumento da expectativa de vida e à melhora na qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV, possibilitada pelos avanços nos tratamentos antirretrovirais.

No entanto, a SES enfatizou, em nota, a necessidade de intensificar informações sobre os riscos de infecção, formas de prevenção e a promoção de ações de conscientização e educação em saúde. “O cenário exige esforços integrados para evitar novas infecções, combatendo o estigma e promovendo o conhecimento como principais ferramentas de prevenção”.

Crescimento nacional – O aumento nos casos de HIV entre idosos também é observado em escala nacional. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em dezembro de 2023, o número de novos casos entre idosos cresceu 416% na última década, passando de 378, em 2012, para 1.951, em 2022.

A faixa etária dos 60 anos ou mais representava 2% de todas as novas infecções com o vírus em 2012 e passou para 4% em 2022. O boletim também destaca que essa é a única faixa etária em que houve aumento percentual nos falecimentos relacionados ao HIV ao longo dos últimos dez anos.

Para o geriatra e presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Marco Túlio Cintra, os dados reforçam a necessidade de intensificar medidas preventivas, garantir o diagnóstico precoce e ampliar o acesso aos tratamentos especializados.

Segundo ele, isso inclui reforçar a adesão à TARV (terapia antirretroviral), o tratamento de infecções oportunistas e o acompanhamento regular com profissionais de saúde capacitados.

“Não podemos nos esquecer da questão da saúde mental e emocional dessas pessoas, uma vez que o estigma social relacionado ao HIV e à AIDS pode afetar a autoestima e o bem-estar psicológico do idoso. Esse suporte deve fazer parte do tratamento”, destacou o geriatra em nota publicada pela SBGG.

Fatores associados ao aumento – Segundo Cintra, o baixo uso de preservativos entre idosos é um dos principais fatores para o aumento das infecções. “Muitos idosos não veem o preservativo como necessário, pois não há preocupação com gravidez. É fundamental esclarecer que o preservativo também protege contra infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV”, reforçou.

Outro fator elencado pelo médico geriatra é a popularização de medicamentos para disfunção erétil, que prolongaram a vida sexual de muitos homens. Além disso, divorciados e viúvos podem se sentir mais livres para novas relações, facilitadas por aplicativos de relacionamento, o que pode levar ao descuido com a prevenção.

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