Escalada de violência e abuso sexual impõe maior empenho do poder público e mobilização da sociedade civil.
Segundo Maiama Cardoso, analista de Comunicação do Ministério Público da Bahia, os abusos sexuais contra crianças e adolescentes estão entre as feridas sociais de maior gravidade no País. Os dados que ela foi buscar são alarmantes.
Somente em 2023 a Polícia Civil registrou 83.988 casos, um número 91,5% maior do que o notificado em 2011. E o mais grave: os estupros de vulneráveis são a maioria dos casos, com 76% do total.
O deputado estadual Professor Rinaldo (União Brasil), candidato à reeleição, e a ex-deputada federal Rose Modesto, que busca uma vaga na Câmara dos Deputados, cobram esforços redobrados do poder público e empenho máximo da sociedade civil para combater e frear a preocupante escalada.
Segundo Rinaldo, a cada hora o Brasil registra sete estupros de crianças e adolescentes.
Lei importante
Ele fala com autoridade sobre o problema. É uma das lideranças de maior destaque nesta pauta. É de sua autoria o projeto 3.707/09, origem da lei que instituindo a Semana de Combate à Pedofilia. “Fortalecemos a rede de proteção, levamos informação para as famílias e combatemos o silêncio que tanto fere a nossa infância. Conhecer os sinais e saber como denunciar são os primeiros passos para salvar vidas”, observa.
A lei deu maior visibilidade ao problema, obrigando o Estado a promover as campanhas educativas, e criou uma rede de conscientização em escolas e comunidades.
Rinaldo e Rose, sua irmã, criaram há 17 anos o projeto “Tocando em Frente”, que dá acolhimento e proteção a crianças e adolescentes em situação de fragilidade, oferecendo apoio em reforço escolar, alimentar e cursos artístico culturais.
Opção atrativa
O projeto trouxe uma opção atrativa para quem está a mercê das tentações perigosas, como a violência, as drogas e a prostituição. Nestes 17 anos, mais de 10 mil crianças e adolescentes já foram atendidos pelo “Tocando em Frente” com as práticas e aprendizados de violão, dança, karatê, kung-fu e reforço escolar, entre outras atividades. “As meninas da dança já foram duas vezes à Argentina para o Festival de Balé Clássico de América do Sul”, exulta Rinaldo.
“Então, precisamos ter a prevenção. Em relação à criança, o problema é muito sério. Criança que fica vulnerável no contraturno da escola pode ser abusada sexualmente, a menina pode ter uma gravidez precoce. Em Campo Grande tem criança grávida com 10 anos, meninos com oito anos usando maconha, já dependente, é um absurdo”, protesta. “Vamos reforçar a luta, mobilizar a sociedade, cobrar do poder público um empenho ainda maior por nossas crianças”, frisou Rose.






