Animal foi localizado pela PMA no fim da tarde de quinta (27/08), mas difícil acesso e risco de afogamento ao anestesiar o animal impediram retirada. A operação pode levar dias.

Moradores encontram capivara com flecha e acionam autoridades
Uma capivara foi encontrada com uma flecha cravada próximo ao pescoço na manhã desta quinta-feira (27), às margens do Rio Anhanduí, em Campo Grande, na região do bairro Guanandi. O animal foi visto por volta das 6h30 por moradores que passavam pela Avenida Vereador Thyrson de Almeida e imediatamente acionaram a Polícia Militar Ambiental (PMA).
A presença de capivaras é comum na região, mas o ferimento chamou a atenção e gerou preocupação entre os moradores, que acompanharam o animal se deslocando entre as margens do rio e áreas próximas à rua. Além da PMA, a Patrulha Ambiental da Guarda Civil Metropolitana também esteve na região procurando o animal ao longo da manhã.
Tentativa de resgate esbarra em acesso difícil e risco na água
A PMA localizou a capivara novamente no fim da tarde, após horas de buscas pelas margens do córrego na Avenida Thyrson de Almeida, próximo ao cruzamento com a Rua do Piano, no Bairro Aero Rancho. Uma veterinária do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) foi acionada para auxiliar no resgate e no atendimento veterinário.
A tentativa de captura, porém, se prolongou até o anoitecer e acabou sendo adiada. Segundo os policiais que estavam no local, a capivara percebe que está sendo seguida sempre que a equipe se aproxima e se afasta em direção à área de difícil acesso do córrego. Em determinado momento, dois policiais ambientais permaneceram por quase uma hora observando o animal, que estava em uma região de barranco.

Estratégia de captura: esperar animal em área seca
O sargento Gelson, da PMA, explicou que a estratégia da equipe é aproveitar o momento em que a capivara deixar o córrego e estiver em uma área seca. “Para nós, a captura vai ser melhor se tiver no seco. Na grama aqui, a gente vai tentar fazer um cerco e capturar ela no seco”, disse Gelson.
A dificuldade está justamente em fazer com que o animal permaneça em um local onde possa ser alcançado. Quanto mais os policiais se aproximam, mais a capivara percebe que está sendo acompanhada e se afasta. Durante o monitoramento, ela chegou a se esconder novamente na vegetação próxima ao córrego.
A equipe relatou ter acompanhado o animal por aproximadamente 500 metros e observado seu comportamento no habitat natural. A avaliação inicial da PMA é de que a flechada foi subcutânea e, neste momento, não representaria risco imediato de morte para o animal.

Risco de afogamento após sedação preocupa equipe
O uso de dardo tranquilizante precisa ser feito com extrema cautela. Caso a capivara seja atingida enquanto estiver próxima da água, ela pode perder os movimentos antes que os policiais consigam retirá-la e morrer afogada.
“Porque se usar o dardo tranquilizante, a gente não pode deixar ela cair na água, porque senão ela tem o perigo de morrer afogada. E aí são o que a gente vai analisar na hora que as equipes estiverem aqui”, afirmou o sargento Gelson.
A PMA informou ainda que a área onde o animal estava é considerada de difícil acesso e que a parte do córrego naquele ponto é funda. Os policiais não poderiam simplesmente entrar na água para tentar alcançá-la, já que não conhecem a profundidade e não sabem se há galhos, objetos ou materiais cortantes escondidos entre o lixo acumulado no local.
Outro fator que dificulta a operação é a presença da flecha. Os policiais evitam qualquer tentativa de contenção que possa provocar uma reação brusca do animal ou fazer com que a flecha seja quebrada ou deslocada.
Orientação: moradores não devem se aproximar do animal
O sargento Gelson explicou que a orientação para quem encontrar a capivara é não tentar se aproximar. “Então, a nossa orientação para o pessoal que se deparar com esse animal é deixar com a flecha realmente cravada no lado direito do corpo e não tentar chegar perto para não afugentar o animal”, explicou.
A presença de pessoas pode fazer com que o animal se assuste e fuja, dificultando ainda mais o resgate. Enquanto isso, a orientação é para que moradores não tentem capturar, perseguir ou se aproximar do animal, evitando que ele seja novamente afugentado para dentro do córrego ou se machuque durante uma tentativa de fuga.
Captura pode levar dias e depende de oportunidade segura
Com o avanço da noite e sem a chegada da equipe do CRAS no momento adequado para a captura, o resgate acabou sendo adiado. A PMA ainda pretendia tentar localizar e acompanhar o animal, mas os policiais admitiram que a captura pode levar mais tempo caso não surja uma oportunidade segura.
A operação deve continuar nesta sexta-feira (28) e pode durar até dois dias, até que a capivara deixe a área de água e fique em um ponto onde possa ser cercada e capturada sem risco de afogamento.
O sargento Gelson explicou que a intenção é reunir as equipes da PMA e do CRAS para fazer a captura e, posteriormente, encaminhar o animal para atendimento. “Vamos tentar juntar o pessoal do CRAS, junto com duas equipes nossas, para fazer a captura do animal para que ele seja medicado”, afirmou.
O objetivo do resgate é retirar a capivara com segurança e encaminhá-la ao CRAS, onde deverá passar por avaliação e atendimento veterinário para a retirada da flecha.

Flechada é crime ambiental com pena de detenção e multa
Ferir ou maltratar animais silvestres é crime ambiental previsto na legislação federal. A Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/1998) prevê detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
Caso o animal morra em decorrência da agressão, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço. Até o momento não há informações sobre quem feriu o animal ou quando o ataque aconteceu, mas o caso será investigado pela PMA.
Denúncias sobre crimes ambientais podem ser feitas pelo telefone 190 e são anônimas.






