Presidente da Câmara, vereador Papy promete fiscalização e medidas concretas para melhorar o sistema em Campo Grande

A audiência pública da CPI do Transporte Coletivo, realizada nesta quarta-feira (25/06) pela Câmara Municipal de Campo Grande, escancarou os problemas enfrentados diariamente por quem depende dos ônibus na capital sul-mato-grossense. Mais de 40 pessoas foram ouvidas entre o plenário Oliva Enciso e a Praça Ary Coelho, onde um telão foi montado para garantir a participação popular.
Denúncias de superlotação, atrasos e insegurança
Usuários relataram situações de superlotação, atrasos frequentes, linhas desativadas, falta de manutenção nos elevadores de acessibilidade, terminais com estrutura precária e insegurança. Também houve críticas ao aplicativo do Consórcio Guaicurus, denúncias de “ônibus fantasmas” (linhas que constam na escala, mas não circulam) e a ausência de seguro civil para os passageiros.
Marina Anunciação da Silva, moradora das Moreninhas, destacou a insatisfação com o serviço. “É péssima a qualidade dos ônibus. Pagamos caro para andar desconfortável, com ônibus atrasados, e no fim de semana não tem linha expressa”, relatou.
Sonia Rodrigues, do distrito de Anhanduí, expôs a superlotação como uma das maiores dificuldades. “O ônibus anda muito cheio, não tem lugar pra sentar. É difícil pra mim que todo dia tenho que vir pra cidade. Venho e volto em pé. Faltam mais ônibus para atender o distrito”.
Cícero Medeiros da Silva também reforçou a insatisfação com a qualidade do serviço. “O grande problema é qualidade do ônibus que atrasa. Pagamos caro e a qualidade do serviço precisa melhorar”.
Já Andreia Maria Silva Lopes, moradora do Jardim Los Angeles, apontou os impactos da precariedade no dia a dia de quem trabalha. “Pego todos os dias a linha 116, sou cuidadora e não consigo chegar no meu trabalho porque o ônibus não passa, ou estraga, ou passa direto por estar lotado. O pouco de dignidade que temos, a gente perde andando de transporte público em Campo Grande. Espero que essa CPI consiga resultado para os usuários do transporte”.
Resultados
Os vereadores membros da CPI explicaram que os depoimentos dos usuários farão parte do relatório final da comissão. Para o vereador Maicon Nogueira, a audiência comprova a gravidade dos problemas enfrentados. “Hoje coletamos testemunhos que vão constar no relatório, comprovando que a população padece perante um serviço caro e precário. Vamos em busca de respostas concretas a médio e longo prazo”, disse Maicon.
A vereadora Luiza Ribeiro reforçou o papel da audiência como ferramenta de escuta da população. “Tivemos uma audiência especial, pois falamos com as pessoas que mais importam nesta CPI, que são os usuários do transporte coletivo urbano. A população precisa ter garantido o seu direito constitucional de acesso a um serviço público de transporte de qualidade. Essa comissão investiga a qualidade do transporte e as contribuições aqui coletadas serão lançadas no relatório. Essas pessoas ouvidas serão testemunhas na nossa investigação”.
Compromisso de ação: “A CPI não é só para ouvir, é para agir”, diz Papy
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), destacou a importância da audiência e garantiu que as denúncias não ficarão apenas no papel. “Vamos cobrar a compra de novos ônibus, um plano de mobilidade urbana e medidas concretas para melhorar o transporte coletivo de Campo Grande. A CPI não é só para ouvir, é para agir”, afirmou.
Durante sua fala, Papy reforçou que a Câmara tem um compromisso institucional com a população e adiantou que uma das próximas medidas será a realização de uma força-tarefa de fiscalização em garagens, terminais e outros pontos do sistema de transporte.
“Hoje tivemos um retrato fiel da realidade enfrentada pelos usuários. Os problemas são estruturais e envolvem responsabilidade tanto do poder público quanto do Consórcio Guaicurus. Nosso dever é garantir que os investimentos e as melhorias saiam do papel”, destacou o presidente da Casa.
Requerimentos e ações propostas
Durante a audiência, vereadores aprovaram diversos requerimentos, entre eles:
Instalação de rampas de acesso para cadeirantes nos pontos de ônibus;
Reforço imediato de veículos nos horários de pico;
Retorno dos ônibus articulados que estão parados;
Revisão do aplicativo do consórcio e obrigatoriedade de divulgação da Ouvidoria dentro dos coletivos;
Convocação de secretários municipais para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras do PAC Mobilidade.
Propostas estruturais e recursos para nova frota
Os parlamentares também debateram a criação de um projeto de lei para dar maior autonomia à Agência Municipal de Regulação, com diretores escolhidos por mandato fixo, sabatina na Câmara e concurso público para fiscais.
Além disso, a senadora Soraya Thronicke (Podemos) deve articular em Brasília a destinação de recursos federais para a compra de novos ônibus com ar-condicionado.
Próximos passos da CPI
A CPI do Transporte vai elaborar um relatório final com base nos depoimentos colhidos e nas fiscalizações que ocorrerão nas próximas semanas. O documento deverá apontar falhas contratuais, responsabilidades e sugerir ações para melhorar a qualidade do serviço.
Papy finalizou com um recado direto à população: “Estamos ouvindo, mas principalmente, estamos prontos para agir. A população de Campo Grande merece um transporte público digno e eficiente.”
Plenário Oliva Enciso recebeu usuários para audiência pública da CPI do Transporte Público (Foto: Osmar Veiga)






