CPI do Transporte Público flagra 40 ônibus fora de operação, documentação vencida e estrangeiros sendo treinados como motoristas

Durante fiscalização realizada na madrugada desta quinta-feira (05/06), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público da Câmara Municipal de Campo Grande encontrou diversas irregularidades em duas garagens do Consórcio Guaicurus, responsáveis pelo transporte coletivo na capital.
Ao todo, 40 ônibus estavam parados por falta de manutenção, o que representa quase 10% da frota total de 460 veículos, que inclui 418 em operação e 42 de reserva técnica. A inspeção foi coordenada pelo vereador Maicon Nogueira (PP), relator da CPI.
“Os veículos estavam limpos, abastecidos, mas há um número alto demais de ônibus encostados. O funcionário fala em 10%, mas acredito que 15% estejam fora de operação. E o motivo é claro: não há pessoal suficiente para realizar os reparos”, afirmou o vereador.
Na Viação Campo Grande, cerca de 20 veículos estavam paralisados. Situação semelhante foi encontrada na Viação Cidade Morena. Além disso, foram identificados veículos com documentação prestes a vencer, reforçando denúncias anteriores. No final de maio, por exemplo, seis ônibus chegaram a circular com documentos vencidos.
“Parece que eles deixam rodar até o último dia para pagar. Isso não é aceitável quando falamos de transporte público. É risco para o usuário”, disse Nogueira.

Venezuelanos contratados para atuar como motoristas
Outro ponto destacado durante a vistoria foi a presença de trabalhadores venezuelanos, que estão sendo contratados pelas empresas para funções internas e, futuramente, para dirigir ônibus. Segundo informações repassadas por funcionários da Viação Campo Grande, nove venezuelanos ingressaram na empresa esta semana.
Atualmente, eles atuam em funções de apoio e manobras internas, enquanto passam por processo de regularização documental e obtenção da CNH categoria D, necessária para dirigir ônibus. Segundo o vereador, durante visita anterior também foi informado que, após um período médio de 90 dias de adaptação, esses trabalhadores passam a atuar como motoristas de linha.
Apesar de a contratação ser legal e integrar um programa de acolhimento a refugiados, a prática tem gerado críticas entre motoristas locais, que alegam baixa remuneração e sobrecarga de trabalho. O salário base inicial atual é de R$ 2.749,00, considerado insuficiente por parte dos trabalhadores.

Serviço em desacordo com relatório oficial
Durante a vistoria, a CPI também tentou verificar o funcionamento dos elevadores para cadeirantes, frequentemente apontados como defeituosos em denúncias recebidas pela Ouvidoria da Câmara. No entanto, os próprios funcionários das empresas afirmaram que “a maioria” dos elevadores está funcionando, embora sem comprovação técnica no momento.
“Ouvimos muitas reclamações da população sobre elevadores quebrados e condições precárias. A CPI precisa confrontar isso com a realidade, pois os relatórios da Agereg apontam qualidade ‘boa’, o que não condiz com o que nos dizem nas ruas”, declarou Maicon Nogueira.
Ao final da inspeção, o vereador avaliou que a garagem da Viação Campo Grande está mais organizada do que a da Cidade Morena, mas ressaltou que os problemas estruturais e operacionais persistem em ambas.
A CPI do Transporte Público foi criada para investigar a qualidade do serviço, as finanças do Consórcio Guaicurus e a atuação da Agereg, agência municipal reguladora. Denúncias ainda podem ser enviadas pelo WhatsApp da comissão: (67) 3316-1514, ou por e-mail: cpidotransporte@camara.ms.gov.br.








