Por falta de dinheiro, Soraya Thronicke interrompe campanha

Candidata a presidente recebeu valor menor do partido dela do que concorrentes com menos recursos

O economista Marcos Cintra (União Brasil), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Soraya Thronicke (União Brasil), reclamou nesta quinta-feira (22) da falta de recursos financeiros da campanha presidencial. De acordo com Cintra, tanto ele quanto Soraya tiveram de cancelar eventos e viagens porque não havia dinheiro suficiente para bancar as hospedagens e os deslocamentos. O partido é resultado da fusão do PSL com o DEM e é a maior legenda em termos de fundo eleitoral, com R$ 776,5 milhões.
Dono do maior bolo eleitoral, União Brasil não banca candidatura de Soraya Foto Roque de Sá Agência Senado

“Eu cancelei alguns eventos meus e ela também alguns eventos dela. De fato, a campanha está tendo alguns problemas internos, mas eu acho que vão ser resolvidos. O que acontece é que a campanha foi paralisada, dela e minha”, declarou.

Cintra, que já foi secretário da Receita Federal, afirmou que ele e Soraya não desistiram da candidatura.

A senadora Soraya Thronicke foi anunciada, nesta terça-feira (2/8), como pré-candidata do União Brasil à Presidência da República. A candidatura da parlamentar ainda precisa ser aprovada em convenção nacional da legenda, marcada para ocorrer nesta sexta (5/8) – data limite definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para definição das candidaturas.

O anúncio ocorreu em evento realizado pelo partido em São Paulo e que contou com a presença de Luciano Bivar (PE). O presidente nacional do União Brasil era, até então, o candidato da sigla ao Palácio do Planalto. No entanto, o deputado abdicou da disputa em prol da reeleição para uma cadeira na Câmara dos Deputados.

“Ela paralisou a campanha dela, mas não houve renúncia de ninguém “, explicou. “Me parece que está tendo alguns problemas, tanto que eu tive de cancelar um evento no Rio de Janeiro por (não ter) condições de ir, hospedagem, de deslocamento. Está havendo problema de financiamento de algumas atividades”, disse.

Soraya Thronicke é senadora em primeiro mandato pelo Mato Grosso do Sul. Ela foi escolhida pelo União Brasil como candidata a presidente de última hora após o deputado Luciano Bivar, presidente da legenda, desistir de disputar o cargo.

De acordo com a prestação de contas dela ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a candidata recebeu R$ 22 milhões de recursos do União Brasil. Ela tem menos dinheiro do fundo do que candidatos de partidos menores. Simone Tebet recebeu R$ 30 milhões do MDB, que tem R$ 360,3 milhões de fundo eleitoral, e Ciro Gomes recebeu R$ 33,3 milhões do PDT, que recebeu R$ 253,4 milhões.

Além de receber menos do que concorrentes em partidos menores, a campanha de Soraya repassou R$ 3,2 milhões do dinheiro que recebeu do fundo ao diretório pernambucano da legenda, Estado do presidente do União Brasil.

Embora o partido tenha uma candidatura própria a presidente, a maioria dos candidatos a governador pela legenda ignora a campanha de Soraya. ACM Neto, candidato a governador da Bahia, e Ronaldo Caiado, que tenta a reeleição em Goiás, evitam se posicionar sobre a disputa presidencial. Em Estados como Rio de Janeiro, Amazonas, Distrito Federal e Mato Grosso, o partido apoia o presidente Jair Bolsonaro (PL). Também há uma ala minoritária, representada pelo ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que está com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

União Brasil lança pré-candidatura de Soraya Thronicke à Presidência

Senadora assume disputa após desistência de Bivar e terá o terceiro maior tempo de propaganda eleitoral gratuita

O União Brasil oficializou o lançamento da pré-candidatura da senadora Soraya Thronicke à Presidência nesta terça-feira (2). O anúncio foi realizado em coletiva de imprensa, na sede do diretório estadual do partido em São Paulo.

A senadora deve ser oficializada como candidata na convenção nacional da legenda, marcada para a próxima sexta-feira (5), último dia do prazo para os partidos confirmarem seus candidatos nas eleições de outubro.

Senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS)
Divulgação/Facebook

Essa será a estreia de Thronicke em um pleito presidencial. Em 2018, ela foi eleita para o seu primeiro cargo político, no Senado, pelo Mato Grosso do Sul. O partido ainda não definiu quem será o candidato a vice-presidente da chapa.

Thronicke afirmou que acredita em uma agenda liberal na economia. Segundo ela, seu eventual governo seria antenado ao cidadão e preocupado com o social e as políticas públicas.

A senadora disse entender que, quanto mais liberal na economia, melhor os níveis de IDH dos países ao redor do mundo. “Isso caminha concomitantemente. O Brasil precisa caminhar nesse sentido”.

“A bandeira que nós erguemos naquela eleição de 2018 foi de liberal na economia. Nós não mudamos. Particularmente, nós entendemos que isso não aconteceu da forma que deveria acontecer”, disse a senadora, que apoiou a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) na última disputa presidencial.

Mais cedo, o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, confirmou à analista da CNN Basília Rodrigues que Thronicke disputaria o pleito presidencial. Bivar era o pré-candidato da sigla, mas desistiu da disputa ao Planalto para tentar a reeleição na Câmara dos Deputados por Pernambuco.

Ele negou que a cúpula do União Brasil tenha tido conversas com o PT. “Conversas para sentar na mesa, da cúpula do União Brasil, não teve nenhuma conversa nesse sentido”, disse. Segundo ele, o partido possui muitos parlamentares e candidatos às disputas estaduais e esses fazem conversas paralelas com outros partidos.

Ao ser questionado para quem iria o apoio do União Brasil em um eventual segundo turno entre os atuais líderes das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro, Bivar afirmou não acreditar nessa hipótese. “O União Brasil certamente estará no segundo turno”.

Além disso, diante dos rumores sobre uma possível aliança entre o União Brasil e o PT na disputa pelo governo de São Paulo, o deputado federal reafirmou o apoio do partido ao governador Rodrigo Garcia (PSDB), que tenta a reeleição.