Jamilzinho vai enfrentar 1º júri popular presencialmente em Campo Grande

Decisão do STJ foi publicada ontem e Jamilzinho será julgado no Fórum da Capital

Por determinação do ministro Rogerio Schietti Cruz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o empresário campo-grandense Jamil Name Filho, o “Jamilzinho”, que está preso desde o dia 27 de setembro de 2019 sob a acusação de chefiar milícia armada responsável por várias execuções, vai enfrentar o seu 1º júri presencialmente em Campo Grande (MS).

Jamilzinho poderá participar presencialmente do júri – Crédito: Reprodução TJMS

Ele terá de sair do Presídio Federal de Mossoró (RN) rumo a Campo Grande. A data do julgamento ainda deve ser confirmada, já que anteriormente estava prevista entre 16 e 19 de maio.

“À vista do exposto, concedo a ordem de habeas corpus, a fim de garantir ao paciente o direito à presença física em seu julgamento a ser realizado perante o Tribunal do Júri”, diz trecho da decisão.

Jamilzinho é acusado de ser líder de organização criminosa que executava vítimas em Campo Grande. Ele foi preso durante operação da Polícia, e é acusado pela morte de Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos, em 9 de abril de 2019. O alvo real seria o pai do jovem, ex-policial militar Paulo Roberto Teixeira Xavier.

O processo foi desmembrado para outros dois réus por estarem foragidos: José Moreira Freire, o “Zezinho”, e Juanil Miranda Lima. Os dois, segundo a acusação, seriam os pistoleiros, responsáveis pela execução. “Zezinho”, que foi morto em troca de tiros com a polícia militar em Mossoró (RN), em dezembro de 2020, também teve nome excluído. Juanil Miranda ainda está foragido e, neste caso, a Justiça determinou a suspensão dos trâmites até que ele seja recapturado.

A responsabilidade pela transferência do réu do Rio Grande do Norte até o Mato Grosso do Sul é do Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

Jamil Name Filho será julgado em 2023 por morte de estudante

Matheus Coutinho Xavier foi executado aos 19 anos, por engano, pela milícia comandada por Jamil Name e o filho

Assassinato aos 19 anos, Matheus Coutinho Xavier foi morto por engano, no lugar do pai. (Foto/Arquivo)

A Justiça marcou para o dia 15 de fevereiro de 2023 o júri pela morte de Matheus Coutinho Xavier, de 20 anos, estudante de Direito assassinado por engano em abril de 2019, em Campo Grande. Esse é um dos crimes investigados na operação Omertà, deflagrada contra milícias armadas, há 3 anos.

O processo estava simplesmente parado havia um ano, apesar de os recursos das defesas já terem tramitado no STJ (Superior Tribunal de Justiça), confirmando a decisão do juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Até a decisão desta terça-feira (8) agendando a data do julgamento, o despacho anterior era de 13 de outubro de 2021, quando o magistrado pedia a devolução dos autos para marcar a sessão do júri, sem ter resposta.

Não houve explicação sobre porque o processo não estava ainda com o juiz de primeiro grau.

Jamil Name e Jamil Name Filho: pai e filho seriam mandados do crime. (Foto/Arquivo)

São réus na ação penal Jamil Name Filho, o “Jamilzinho”, como mandante do crime de pistolagem, o ex-guarda civil Marcelo Rios, e o o policial Vladenilson Olmedo. Os dois agentes de segurança teriam, conforme a acusação, intermediado a contratação de assassinos de aluguel.

Esse caso também tinha como acusado Jamil Name, que morreu na cadeia, em maio de 2020, vítima da covid-19. Pai de “Jamilzinho”, ele também era apontado como mandante da morte.

O alvo verdadeiro, de acordo com as investigações, era o pai de Matheus Coutinho, Paulo Roberto Teixeira Xavier, ex-capitão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, considerado desafeto da família Name.