Caso Henry: após ter a prisão preventiva revogada pelo STJ, Monique deixa presídio

Após ter a prisão preventiva revogada na tarde da última sexta-feira pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Monique Medeiros da Costa e Silva, ré por torturas e homicídio contra o filho, Henry Borel Medeiros, deixou o presídio de Bangu nesta segunda-feira. O alvará de soltura foi expedido no início da tarde de domingo pelo juiz Daniel Werneck Cotta e chegou ao presídio pouco depois das 16h. A professora deixou a prisão em seguida.

Monique Medeiros deixa o presídio e vai responder em liberdade no processo em que é ré por torturas e homicídio contra o próprio filho Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Monique saiu do presídio de calça jeans, uma blusa de manga comprida e chinelo. Mais cedo, Hugo Novais, um dos advogados dela, disse à reportagem não entender o motivo da demora para expedirem o mandado.

— Estou correndo para conseguir isso (alvará de soltura). Esse documento tem que sair hoje. Vou ao TJ falar com o desembargador que cuida do caso, que é o Marcus Basílio — afirmou Novais.

Na decisão de sexta-feira, João Otávio deferiu o pedido da defesa de Monique e concedeu a ela o direito de responder ao processo em liberdade. Seu ex-namorado, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, permanece preso pelos crimes.

No despacho, João Otávio de Noronha explica que a juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri, determinou a substituição da prisão preventiva de Monique pelo monitoramento eletrônico. Posteriormente, contra a decisão, foi interposto recurso em sentido estrito pelo promotor Fábio Vieira. Em seguida, desembargadores da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio deram provimento ao recurso, restabelecendo a prisão de Monique.

O ministro afirma que então a defesa de Monique entrou com um habeas corpus no qual requereu que fosse declarada ilegal a sua prisão, sendo ela transferida do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, para unidade prisional do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar, ou ainda que seja substituída a privação de liberdade por medidas cautelares alternativas.

Médico preso por estupro foi hostilizado por detentos em primeira noite em Bangu 8

Depois de participar de audiência de custódia e ter a prisão em flagrante convertida em preventiva, o médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, de 31 anos, passou a primeira noite isolado em Bangu 8. O local é destinado a presos com nível superior.

Segundo informações do G1, quando o médico chegou à unidade prisional Pedrolino Werling de Oliveira foi hostilizado pelos detentos. Os presos teriam sacudido as grades, vaiado e xingado o anestesista, como forma de protesto.

Médico preso por estupro no Rio de Janeiro – Foto: Reprodução

Giovanni foi preso pelo estupro de uma mulher na hora do parto. A delegada Bárbara Lomba, da Delegacia de Atendimento à Mulher, investiga se há pelo menos mais cinco vítimas.

Os casos teriam sido cometidos nas unidades em que o médico trabalhou, entre elas o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti.

O médico anestesista passou por audiência de custódia realizada na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, para onde foi levado no fim da tarde de segunda-feira (11).

Agora, com a conversão da prisão, o médico ficará preso por tempo indeterminado, tendo sua situação reavaliada se ultrapassar 90 dias. Neste tempo, o inquérito policial poderá ser concluído e entregue ao Ministério Público, que decidirá pela denúncia ou não, e pela manutenção da prisão.

ENTENDA O CASO

O médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante por estupro contra uma paciente durante o parto no último domingo (10), no Hospital da Mulher, em São João Meriti (RJ). Segundo investigadores, ele abusou da mulher enquanto ela estava dopada para a realização de uma cesariana.

De acordo com a polícia, a equipe de enfermagem estranhou a quantidade de sedativos que o anestesista dava para as pacientes que passariam por cesarianas. Então, eles posicionaram um celular para gravar o procedimento e conseguiram fazer o registro do ato e denunciá-lo.

A prisão do anestesista foi registrada em vídeo na madrugada da última segunda-feira (11). A voz de prisão foi feita pela delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de São João do Meriti.