Alemanha paga caro por derrota na estreia e cai na fase de grupos da Copa do Mundo

Tetracampeões vencem a Costa Rica por 4 a 2, mas amargam segunda eliminação precoce seguida

Pela segunda vez seguida, a Alemanha está fora da Copa do Mundo na fase de grupos. Depois do vexame da Rússia, o vexame no Catar. Num grupo com Espanha, Japão e Costa Rica, os tetracampeões conseguiram terminar em terceiro lugar. Vem aí uma tormenta do tamanho da história da seleção alemã.

Manuel Neuer e Jamal Musiala, Costa Rica Alemanha — Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

A Alemanha até venceu a Costa Rica, seu último rival, por 4 a 2 no estádio Al Bayt. Mas o resultado não foi suficiente. No estádio Khalifa, onde também bateu a Alemanha na estreia, o Japão repetiu a façanha, derrotou a Espanha e venceu o grupo. Resultado: Japão e Espanha classificados. Alemanha e Costa Rica eliminados.

O tamanho da crise será conhecido nos próximos dias e sentido nos próximos anos. Mas já é possível vislumbrar as consequências de tamanha queda: uma potência humilhada por duas eliminações precoces seguidas, toda uma escola de futebol no divã, um técnico certamente demitido, o legado dos campeões mundiais de 2014 posto em dúvida, o eterno questionamento se o engajamento em questões extra-campo atrapalharam.

Manuel Neuer será – como já foi nos últimos dias – injustamente questionado por sua dedicação à campanha contra a homofobia. Antonio Rudiger será lembrado pela corridinha engraçada com risadinha para as câmeras enquanto a Alemanha ainda vencia o Japão na estreia. O time inteiro será detonado por ter feito um protesto ao posar com as mãos tapando as bocas.

Durante 45 minutos pareceu que seria fácil: nos primeiros minutos de jogo, a Alemanha abriu o placar contra a Costa Rica no estádio Al Bayt e a Espanha fez o mesmo contra o Japão no Ahmad Bin Ali. Durante a primeira metade dos dois jogos os favoritos deram a impressão de que varreriam os azarões do complicado grupo E da Copa do Mundo e seguiriam suas vidas no mata-mata.

Tudo mudou após o intervalo. Nos primeiros minutos do segundo tempo, o Japão repetiu contra a Alemanha o furacão a que submeteu a Alemanha e virou o jogo. Simultaneamente, a Alemanha permitiu o empate à Costa Rica, com Yeltsin Tejeda. Essa combinação de resultados enviava o Japão às oitavas de final como líder do grupo, com a Espanha em segundo.

Durante quase 40 minutos, a Costa Rica esteve a um gol de virar o jogo e eliminar as duas campeãs do mundo na fase de grupos da Copa do Mundo. Chegou a marcar, com Juan Vargas, que venceu um duelo físico com Manuel Neuer. 2 a 1 Costa Rica. Durante três minutos, Alemanha e Espanha estiveram eliminadas por Costa Rica e Japão.

E então Kai Havertz marcou um gol irônico: o gol que não teve nenhuma importância para a classificação alemã, mas foi crucial para reabilitar a Espanha. Ainda faltavam vinte minutos por jogar no estádio Al Bayt. Mas os dois gols seguidos de Kai HAvertz e Fuellkrugg não tiveram nenhuma importância. A Alemanha deixa o Catar mais cedo.

 

Alemanha x Costa Rica será o 1º duelo em Copas apitado por mulheres; brasileira é escalada

Neuza Ines Back será auxiliar da francesa Stéphanie Frappart na partida desta quinta-feira, 29, no Catar

A Fifa anunciou que a partida entre Alemanha e Costa Rica na quinta-feira, 1º, terá uma equipe de arbitragem completamente feminina. É a primeira vez na história que isso acontecerá em uma edição de Copa do Mundo masculina. O Brasil será representado pela auxiliar Neuza Inês Back.

Árbitra Stephanie Frappart e a assistente Neuza Back durante partida entre México e Polônia
Foto: Reuters

Árbitra da final do Mundial feminino, a francesa Stéphanie Frappart será a responsável por conduzir o duelo pelo Grupo E. Além da brasileira, a mexicana Karen Diaz Medina também vai atuar como assistente. A função de quarta árbitra ficou com a hondurenha Said Martinez.

Frappart é nome conhecido na França. Ela é escalada com frequência para apitar jogos da Ligue 1 e também foi a responsável por comandar a final da Copa da França na edição passada.

Aos 37 anos, Back já trabalhou em mais de 100 partidas entre Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. A catarinense é formada em Educação Física.

No duelo de quinta, Alemanha e Costa Rica entram em campo precisando da vitória e na torcida para que a Espanhe derrote o Japão no outro duelo do grupo para poderem avançar para as oitavas de final no Catar.

Mais uma zebra! Japão reage e faz 2 a1 sobre a Alemanha

Assim como em 2018, a Alemanha estreou perdendo na Copa do Mundo novamente. Em partida eletrizante, os alemães foram derrotados por 2 a 1. O resultado do Japão foi construído de virada, já no segundo tempo do duelo.

Na primeira etapa da partida, a Alemanha controlou o jogo e, em uma penalidade convertida por Ilkay Gündoğan, saiu à frente do placar. Nos acréscimos, os alemães chegaram a anotar um segundo gol com Kai Havertz, mas a finalização foi anulada por impedimento.

No segundo tempo, o goleiro japonês anotou quatro defesas seguidas, segurando o ímpeto da seleção alemã. Momentos depois, após a entrada de Ritsu Doan e Takumi Minamino, o Japão chegou ao gol de empate, justamente com os jogadores que entraram na partida. Doan empatou a partida e, oito minutos depois, Takuma Asano virou o jogo, assegurando a vitória japonesa.

Vencedor do duelo, o Japão volta a campo no domingo, dia 27, em partida contra a Costa Rica. Já a Alemanha encara a Espanha, em clássico europeu, no mesmo dia.

 

Alemanha protesta contra decisão da Fifa antes de jogo da Copa

A Alemanha protestou antes de entrar em campo contra o Japão e todos os jogadores colocaram a mão na boca na tradicional foto posada antes do jogo. O fato se refere à proibição da Fifa com relação às braçadeiras de capitão coloridas, em apoio à causa LGBTQIA+.

Qualquer relação que não seja heterossexual e entre pessoas casadas é proibida no Catar, assim como a incitação à homossexualidade. Porém, independentemente disso, a Fifa é quem distribui as braçadeiras de capitão e por isso alegou que qualquer braçadeira que não seja a sua está vetada.

As seleções de Inglaterra, País de Gales, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Suíça haviam anunciado em comunicado conjunto que não iriam usar as braçadeiras de capitão coloridas depois de a Fifa ter ameaçado que os capitães de equipe poderiam receber cartão amarelo. “A Fifa deixou muito claro que imporá sanções desportivas se os nossos capitães usarem as braçadeiras em campo”, refere a nota das federações.

“Não podemos colocar os nossos jogadores numa posição em que possam enfrentar sanções desportivas, incluindo cartões amarelos, por isso pedimos aos capitães que não tentem usar as braçadeiras nos jogos do Mundial”, seguiu a nota.

As seleções estavam dispostas a pagar multas, mas reconhecem que não podem sujeitar os jogadores a “receber um cartão amarelo ou até mesmo serem forçados a deixar o campo”.