Operação Modo Avião passou por oito unidades prisionais em setembro no MS. O equipamento detecta sinais de telefonia em um raio de até 100 metros.
A Polícia Penal de Mato Grosso do Sul ampliou, em setembro, o uso de uma tecnologia móvel para identificar sinais de celulares em unidades prisionais e direcionar revistas a pontos considerados mais sensíveis. A ferramenta integra a Operação Modo Avião, coordenada pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) em conjunto com órgãos de inteligência penitenciária estaduais e federais.
Nesta etapa, a operação alcançou oito estabelecimentos penais do Estado. O equipamento, transportado por um agente, é capaz de rastrear sinais de telefonia em um raio estimado entre 50 e 100 metros, permitindo às equipes apontar áreas com indícios de aparelhos irregulares e definir onde concentrar buscas e inspeções.

Varredura substitui buscas aleatórias
A tecnologia funciona como uma varredura móvel. A partir da leitura de sinais de telefonia, os policiais penais conseguem mapear setores com possível utilização de celulares e priorizar celas, galerias e demais áreas de segurança para as revistas.
A estratégia busca tornar o trabalho operacional mais direcionado, em vez de depender exclusivamente de inspeções aleatórias. Além da detecção de sinais, as equipes realizam operações de pente-fino para localizar materiais proibidos, verificar vulnerabilidades estruturais e reforçar os mecanismos de controle dentro das unidades.
Em junho, durante ação na Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, a tecnologia foi empregada junto a um georradar, utilizado para identificar alterações no subsolo que pudessem indicar túneis, cavidades ou outras intervenções capazes de comprometer a segurança do presídio.
Operação avançou ao longo do ano
A ação conjunta entre a Agepen e a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) foi ampliada durante 2026. A Operação Modo Avião passou por quatro unidades em março, outras duas em junho e chegou a oito estabelecimentos nesta etapa de setembro.
Segundo o balanço divulgado, Mato Grosso do Sul já realizou 67 grandes operações de vistoria no sistema prisional neste ano, além de inspeções pontuais e periódicas mantidas de acordo com levantamentos dos setores operacional e de inteligência.
O trabalho é coordenado pela GISP (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário), pela DIPEN (Diretoria de Inteligência Penal) e pela Coordenação-Geral de Contrainteligência Penal da Senappen.
Comb
ate mira comunicação de grupos criminosos
O reforço na fiscalização ocorre em meio a ações estaduais e federais voltadas a impedir a entrada e o uso de objetos ilícitos em presídios, especialmente celulares, carregadores, drogas e equipamentos levados por drones.
Desde 25 de agosto, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional atuam em unidades de Campo Grande e Dourados para monitorar e interceptar aeronaves remotamente pilotadas. No período, foram apreendidos dois drones, 14 celulares, cinco carregadores, cerca de 1,7 quilo de material com características semelhantes à maconha e aproximadamente 250 gramas de substância análoga à cocaína, conforme a Senappen.
Na Máxima de Campo Grande, a Operação Nêmesis também foi deflagrada em setembro para realizar revistas gerais, apurar irregularidades e enfrentar a atuação de organizações criminosas no ambiente prisional. A ação ocorreu após a identificação de manifestação coletiva de apoio ou alusão a uma organização criminosa dentro da unidade, segundo a Senappen.
Inteligência orienta ações permanentes
Para o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o emprego de inteligência e tecnologia integra uma política contínua de segurança penitenciária. A proposta é identificar previamente pontos vulneráveis, reforçar as revistas e dificultar que detentos utilizem aparelhos de comunicação para manter contato com o exterior ou articular atividades criminosas.
A avaliação das autoridades é que a combinação de monitoramento tecnológico, atuação de inteligência e operações presenciais amplia a capacidade de prevenção e resposta da Polícia Penal. O objetivo, segundo os órgãos envolvidos, é manter a ordem nas unidades e reduzir a possibilidade de que presídios sejam usados como base para a comunicação de grupos criminosos.






