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Campo Grande, 01 de outubro de 2026

Docinho viral, risco real: dentistas alertam sobre o morango do amor

  • 29 de julho, 2025
  • Consumidor, Geral, Saúde
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A mistura entre acidez e rigidez pode causar danos imediatos aos dentes e exige atenção redobrada com a forma de consumo

“Um docinho bonito não pode custar um dente”, adverte a especialista

O “morango do amor” pode até ser uma paixão à primeira mordida, mas dentistas têm reforçado um alerta importante: o doce viral das festas e redes sociais pode representar um perigo real para a saúde bucal de crianças, adultos e idosos. Por trás da aparência atrativa e do sabor marcante, há uma combinação de fatores que pode causar desde trincas até fraturas graves nos dentes.

Segundo a dentista e coordenadora do curso de Odontologia da UNINASSAU Brasília, Camila Myssen, o risco está principalmente na junção de dois elementos: a acidez do morango e a dureza da calda de açúcar caramelizado, que muitas vezes também leva vinagre na preparação. “Dependendo da quantidade consumida de morango, devido sua acidez, pode desmineralizar o esmalte dentário, tornando-o mais frágil. Quando isso se junta à dureza da calda caramelizada, o risco de trincas, lascas e até fraturas aumenta consideravelmente”, explica.

Além dos danos ao esmalte, a calda, quando resfriada, se comporta como um vidro: rígida e quebradiça. Ao ser mordida diretamente, pode causar impactos mecânicos nos dentes, especialmente se já houver algum tipo de fragilidade, como cáries, restaurações, próteses ou microtrincas pré-existentes. “Não acontece com todo mundo, mas é um risco real, inclusive para dentes saudáveis. Agora, quando o dente já está enfraquecido, a chance de um problema é bem maior”, ressalta Camila.

A situação é ainda mais delicada para dois grupos específicos: crianças e idosos. No caso das crianças, os dentes de leite são naturalmente mais frágeis e menos mineralizados. Além disso, muitas ainda estão aprendendo a mastigar corretamente, o que aumenta o risco de engasgos e lesões com a calda quebradiça. Já os idosos costumam ter desgaste natural do esmalte, restaurações antigas ou próteses, além de maior suscetibilidade à sensibilidade dentária.

“A calda pode grudar em coroas, implantes ou dentaduras e até descolá-los. O esforço para morder também pode sobrecarregar dentes que já estão comprometidos ou mal posicionados”, destaca a dentista.

Para quem não quer abrir mão do doce típico das festas, Camila recomenda formas seguras de consumo. O ideal é evitar morder com os dentes da frente. É melhor cortar o morango com faca ou colher e usar os dentes posteriores, que são mais fortes e preparados para triturar. Assim, a força é distribuída de forma mais equilibrada. Outro cuidado essencial é com a higiene após o consumo.

“Como o alimento é ácido e açucarado, o ideal é esperar entre 30 e 60 minutos antes de escovar os dentes, para evitar desgaste do esmalte enfraquecido. Nesse intervalo, é recomendado enxaguar a boca com água e beber bastante líquido para ajudar na neutralização do pH. A escovação deve ser feita com escovas de cerdas macias e sempre acompanhada de fio dental”, reforça Camila.

Apesar do apelo visual e da popularidade nas redes sociais, o “morango do amor” exige responsabilidade. O doce, que virou febre entre influenciadores, precisa ser consumido com consciência, especialmente por quem já tem histórico de problemas bucais. “Por mais que a gente adore experimentar novas tendências, é importante lembrar que nossa saúde deve vir em primeiro lugar. Um docinho bonito não pode custar um dente”, conclui a dentista.

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