Saída de senadora sul‑mato-grossense marca nova etapa da aliança Lula‑Alckmin e reforça mudança de polo político no PSB.

A trajetória política de Simone Tebet, ministra do Planejamento e ex‑senadora de Mato Grosso do Sul, entra em uma nova fase com a mudança de legenda. Ela confirmou que, até o fim de março, deixará o MDB – partido pelo qual esteve filiada por quase 30 anos – para se filiar ao PSB em São Paulo, onde pretende disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
A decisão marca, ao mesmo tempo, uma perda de liderança histórica para a base do MDB em MS e um reforço estratégico para o polo de centro-esquerda que se articula em torno do governo Lula e do vice‑presidente Geraldo Alckmin.
O PSB confirmou neste sábado (21/03) a filiação de Simone Tebet em São Paulo, destacando que a ministra passa a integrar o mesmo partido de Geraldo Alckmin, vice‑presidente da República.
Tebet estava no MDB desde 1997, época em que começou a carreira política em Mato Grosso do Sul, tendo sido prefeita, deputada estadual, vice‑governadora e senadora pelo partido.
Em 2022, foi a candidata à Presidência da República pela legenda, o que consolidou sua imagem como figura nacional de centro político.
Em comunicado, o PSB afirma que “celebra a filiação de Simone Tebet com entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica. Sua decisão honra o nosso partido e engrandece um grupo político que almeja construir o futuro do país”.
A nota também destaca que “Simone traz consigo uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático. Advogada, professora, prefeita reeleita com 76% dos votos, vice‑governadora, senadora, candidata à Presidência da República e ministra do Planejamento”.
Ainda assim, Tebet reforça que sair do MDB e migrar para o PSB não é apenas uma mudança de partido, mas uma decisão de projeto político maior. “São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política. (…) Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil”, afirma.

Ela explica que conversas vinham sendo feitas com o presidente Luis Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin, e que, há seis meses, passou a ser “provocada positivamente” a aceitar um papel nacional.
“Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. E quando isso chegou até mim, eu fui investigar a razão dessa convocação. E, para a minha grata surpresa, fui ver, inclusive, que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde eu tive mais votos, é onde eu tenho mais acentuação”, destacou Tebet, reforçando a leitura de que a migração para São Paulo é uma resposta ao desempenho eleitoral que já demonstrou naquele Estado.
Em tom mais pessoal, a ministra lembra que a decisão foi tomada com tranquilidade, mas também com um cálculo de família.
Ela conta que, no dia 27 de janeiro, teve uma conversa informal com Lula durante uma viagem ao Panamá, quando o presidente pediu que ela refletisse sobre a possibilidade de disputar o Senado por São Paulo. O pedido formal veio em 3 de fevereiro, após conversas com Alckmin.
“Eu fiquei de dar uma resposta apenas por uma razão, e falo isso com muita tranquilidade. Eu precisava das bençãos da minha mãe. Eu precisava conversar com a minha mãe que tinha expectativa de que eu pudesse voltar para a casa dela, pudesse estar mais próxima dela. Então, depois de explicar a situação para minha mãe, eu decidi cumprir essa missão”, conclui Tebet, sintetizando a transição como um passo político‑familiar, ancorado na leitura de que São Paulo é hoje o novo centro de sua trajetória nacional.

Quem é Simone Tebet
Nascida em Três Lagoas (MS), Simone Tebet é filha de Ramez Tebet, ex-governador, ex-senador sul-mato-grossense e ex-ministro da Integração Nacional.
Mestre em Direito do Estado, Tebet é professora universitária e desde a década de 1990 é filiada ao MDB.
A ministra foi deputada estadual em Mato Grosso do Sul e se tornou em 2004 a primeira mulher a ser eleita prefeita de Três Lagoas. Quatro anos depois, foi reeleita para o cargo.
Em 2011, Tebet assumiu o cargo de vice-governadora de Mato Grosso do Sul, na chapa encabeçada por André Puccinelli. Durante parte do mandato, foi secretária estadual de Governo.
Em 2014, Tebet se elegeu senadora pelo Mato Grosso do Sul. Na Casa, teve destaque ao compor, em 2016, a comissão especial do Senado do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Ela votou a favor do afastamento da presidente sob o argumento de que ela havia cometido crime de responsabilidade.
Em 2019, Tebet foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Dois anos depois, representou a bancada feminina na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.
Em 2022, na tentativa de se criar uma terceira via na corrida presidencial, Tebet concorreu pelo MDB. Recebeu 4,9 milhões de votos (4,16%) e ficou em terceiro lugar na disputa.

O cargo de ministra
Simone Tebet foi anunciada como Ministra do Planejamento no governo Lula em dezembro de 2022. Terceira colocada na eleição presidencial, Simone Tebet declarou apoio a Lula no segundo turno da disputa, um dos movimentos que ajudou o petista a derrotar o então presidente Jair Bolsonaro.
A senadora participou da equipe de transição na área de desenvolvimento social e tinha a expectativa de integrar o primeiro escalão do novo governo Lula. Inicialmente, Tebet chegou a ser cogitada para o ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, uma área com a qual a senadora dizia ter “afinidade”.






