Cresce intenção de voto para senador, apesar do fogo amigo que tenta implodir a aliança pró-Riedel.

Desde o segundo semestre do ano passado, quando começaram a ser feitas e atualizadas as pesquisas sobre a corrida pelas duas vagas do Senado em Mato Grosso do Sul, as posições continuam as mesmas na parte superior da preferência dos eleitores. As oscilações ocorrem apenas no bloco intermediário, porém não afetaram até agora a liderança do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e do senador Nelsinho Trad (PSD), pré-candidato à reeleição, o segundo colocado.

Apesar do rastilho de turbulência que um grupo pretende acender no campo de forças da direita, o panorama da futura votação está ainda mais consolidado com as últimas amostragens. A mais recente delas traz uma reveladora radiografia do momento eleitoral em Campo Grande. De acordo com o Ranking Brasil Inteligência, entre os 618,6 mil votantes da Capital o preferido para o Senado é Nelsinho Trad. Ele possui 20% das intenções de voto e Azambuja, em segundo, 17,6%.

Num segundo cenário, o senador pessedista conserva a dianteira e aumenta sua distância dos demais, alcançando 21%, enquanto Azambuja marca 18%. Por fim, numa simulada para respostas espontâneas, também é Nelsinho que vence em Campo Grande: 9%, com Azambuja (7,40% em segundo). A consulta ouviu 1.000 eleitores e eleitoras ente 10 e 16 deste mês nas sete regiões urbanas, com intervalo de confiança em 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A vantagem que Nelsinho abre na cidade tem indicadores dos mais consistentes. Foi em Campo Grande que iniciou a carreira na Medicina e ingressou na vida pública dirigindo o Instituto Estadual de Previdência (Previsul). Seu desempenho impulsionou a caminhada política, primeiro como vereador, depois prefeito em dois mandatos, deputado estadual e senador.
Reconhecido como um campeão de emendas parlamentares, ele ocupa posições das mais elevadas no Congresso, como a presidência da Comissão de Relações Exteriores; Tem atuado com destaque nas pautas nacionais, como na abertura das conversas com os EUA para ajustar as negociações sobre o tarifaço. Municipalista, é um dos principais nomes na galeria de lideranças nacionais do PSD.

Fogo amigo
Se não fossem projetos cuja natureza deve ser alheia ou desafiadora aos interesses do campo da direita, suas forças já poderiam estar unificadas para garantir em 2026 suas grandes prioridades locais: a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a conquista das duas vagas do Senado. Porém, um complicador turva este caminho: uma pequena fração do exército bolsonarista, na qual se alojam o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) e o deputado federal Marcos Pollon (PL). não demonstra boa vontade em colaborar com esta ideia.
O ex-presidente Jair Bolsonaro convenceu Azambuja a trocar o PSDB pelo PL. Isso fortaleceria o partido, ampliaria a capilaridade da sua candidatura à reeleição e também melhoraria as condições de ampliar o bloco diureitista, abrindo a segunda vaga uma das siglas aliadas e que não tivesse problemas de unidade interna. O PSD entrou naturalmente neste espaço, com o nome de Nelsinho Trad sacramentado pela direção nacional e toda militância.
Inicialmente, Contar demonstrou má vontade para acatar a solução recomendada por Bolsonaro. Trouxe para o território de celebração com a filiação de Azambuja os ressentimentos plantados durante a campanha de 2022, na disputa contra Riedel, avançou ao segundo turno vomitando acusações pesadas e levianas contra Riedel.
Na ânsia de levar adiante seu projeto de ganhar a disputa, pouco se importou em estar atacando um candidato que tinha declarada simpatia do ex-presidente e era aliado de ponta de Azambuja, o político mais vitorioso do Estado.
Esta implicância, levada a níveis rasteiros, arrasta-se há quase três anos e foi revitalizada quando se anunciou o ingresso de Azambuja no PL. Contar e Pollon foram os que mais se levantaram contra, inclusive com ameaças de levar seu grupo para uma posição isolada, fora do núcleo em que se reuniriam toda a direita sul-mato-grossense.
Ao notar que a liderança de Azambuja passou a dar nova e revigorada dinâmica ao PL, Contar começou a forçar uma aproximação, tentando jogar a sua candidatura ao Senado no colo do ex-governador.
Com esta manobra e pronto para assinar a ficha do PL, Contar sabe que dividirá a direita e implodirá o agrupamento de forças conservadoras em torno de um projeto único, tanto nacional como no campo doméstico. A pressão que seu projeto sofre agora tem outro gatilho: com Azambuja dominando folgadamente as intenções de voto e Nelsinho seguindo com semelhante fôlego, o ex-PRTB esperneia como pode e faz jogo político para tirar da frente quem estiver em seu caminho.

As opções
O nome de Contar entre as alternativas da direita para a corrida senatorial só reforça a pulverização de candidaturas, algo que diminui as chances do bloco de conquistar as duas vagas. Além de Contar, em seu ambiente ideológico se encontram o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), e o deputado Marcos Pollon (PL).
Mas a concorrência que virá do front adversário também conta com nomes competitivos, destacando-se a ministra Simone Tebet (MDB) e o deputado federal Vander Loubet (PT).
E esta conjuntura é mais do que impositiva para demonstrar que uma implosão na direita por causa das vagas no Senado causaria enorme estrago nos planos bolsonaristas e ofereceria à concorrência, sobretudo à esquerda, a chance de eleger um dos dois senadores, hipótese que já foi mais distante, como indica a pesquisa.
Na espontânea, Contar tem 7%. Depois aparecem Vander (3%), Simone (2,6%), Gerson (1,8%), Pollon (1,2%) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos), com 1%.
Em um dos cenários da estimulada, com Nelsinho (17%) e Azambuja (17,60%) à frente, Contar é terceiro (14%), seguido de perto por Vander (11,40%). Gerson Claro tem 6%, Gianni Nogueira (PL) 3,60%, Soraya 2,40% e Oswaldo mezza 1%.






