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Campo Grande, 09 de outubro de 2026

Brasil reage a “tarifa de Trump” e ameaça retaliação

  • 10 de julho, 2025
  • Economia, Internacional, Politica
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Lula aciona Lei de Reciprocidade e senadores de Mato Grosso do Sul defendem diálogo para evitar crise comercial entre os países.

Segundo Trump, as recentes decisões judiciais brasileiras colocam em risco valores democráticos e afetam empresas dos EUA que operam no país.

O governo brasileiro decidiu reagir à imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos nacionais exportados para os Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (09/07).

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil acionará a recém sancionada Lei de Reciprocidade Econômica, o que abre caminho para a aplicação de contramedidas, incluindo a suspensão de concessões comerciais, investimentos e até direitos de propriedade intelectual de empresas norte-americanas.

A medida de Trump, que surpreendeu o mercado internacional, amplia significativamente o custo de exportação ao mercado norte-americano, afetando diretamente produtos do agronegócio brasileiro, com impacto especial no Mato Grosso do Sul, grande produtor e exportador de carne e grãos.

Por que Trump decidiu taxar o Brasil?

O presidente norte-americano justificou a tarifa afirmando que os Estados Unidos enfrentam um suposto déficit comercial com o Brasil e criticou o que chamou de “violações à liberdade de expressão” e “ordens de censura secretas” supostamente emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra redes sociais norte-americanas.

Em uma carta endereçada ao presidente Lula, Trump também associou a elevação das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificado por ele como “vergonha internacional”. Segundo o republicano, as recentes decisões judiciais brasileiras colocam em risco valores democráticos e afetam empresas dos EUA que operam no país.

A resposta do Brasil

Em nota oficial, o governo brasileiro rebateu as acusações destacando que, ao longo dos últimos 15 anos, os Estados Unidos mantêm um superávit na balança comercial com o Brasil superior a US$ 410 bilhões. Lula reforçou que o país “não aceitará ingerências” em seus processos internos e defendeu a independência da Justiça no julgamento de Bolsonaro e de todos os envolvidos nos ataques à democracia em 2023.

“Nós vamos defender nossa soberania e os interesses nacionais com firmeza, mas com responsabilidade”, disse Lula, ao lado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Rui Costa (Casa Civil), em reunião de emergência realizada para definir a estratégia do governo.

O Brasil pretende iniciar negociações diplomáticas, mas deixou claro que está pronto para adotar contramedidas dentro do prazo legal de 22 dias. A legislação permite ações que podem afetar setores estratégicos para empresas americanas no Brasil.

O que dizem os senadores de Mato Grosso do Sul

A decisão provocou forte repercussão no Senado, especialmente entre parlamentares de Mato Grosso do Sul, estado com forte presença no agronegócio.

O senador Nelsinho Trad (PSD), presidente da Comissão de Relações Exteriores, defendeu a busca por um entendimento pacífico e revelou que a Embaixada dos EUA em Brasília sugeriu a criação de uma missão parlamentar brasileira a Washington para abrir diálogo direto com o Congresso norte-americano. A proposta conta com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin.

“Temos que buscar a pacificação desse entendimento para que o nosso comércio não seja prejudicado. O Brasil e os Estados Unidos têm relações comerciais sólidas e históricas, precisamos preservar isso”, disse Trad.

A senadora Tereza Cristina (PP), relatora da própria Lei de Reciprocidade no Senado, também pediu cautela nas tratativas. “É hora de equilíbrio e diálogo. O Brasil precisa agir com firmeza, mas sem perder de vista que nossos povos e nossas economias são parceiros há décadas. Temos 22 dias para buscar uma solução que evite prejuízos bilaterais”, afirmou.

Próximos passos

O governo brasileiro avalia que a escalada retórica de Trump tem forte componente eleitoral, já que o republicano disputa a reeleição este ano. Mesmo assim, o Palácio do Planalto decidiu se preparar para adotar medidas firmes caso as negociações não avancem.

As exportações brasileiras para os EUA somam bilhões de dólares por ano e incluem carne, minério de ferro, aço, produtos químicos e manufaturados. A nova tarifa ameaça toda essa cadeia e, caso se concretize sem recuo, poderá desencadear uma guerra comercial sem precedentes entre as duas maiores economias das Américas.

Lula, seus ministros e o Congresso esperam que, nas próximas semanas, o diálogo prevaleça. No entanto, o governo já deixou claro: se Trump mantiver as sanções, o Brasil responderá à altura, com a mesma intensidade e determinação.

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