Rota e papel do governo americano seguem sem confirmação oficial, mas Flávio mantem documentação de cidadania Italiana.
Senador derrotado na eleição presidencial não entregou os documentos determinados pelo STF e teria deixado o país pela fronteira com a Argentina. O Departamento de Estado confirma emissão de vistos, mas nega que a Casa Branca tenha participado diretamente da operação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou a Argentina rumo aos Estados Unidos na madrugada de quarta-feira (28/10), segundo aliados e fontes do governo americano ouvidas por agências internacionais.
A saída do Brasil teria ocorrido na noite do dia 26/10, depois do ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do parlamentar em até 24 horas, sob risco de fuga.
Apesar das versões divulgadas por aliados e veículos de imprensa nacional e internacional, o itinerário exato de Flávio permanece sem confirmação oficial.
A Polícia Federal informou que não localizou registro de saída do senador por posto regular de controle migratório, enquanto a Argentina negou ter registrado sua entrada no país.
Ordem judicial e desaparecimento
A PF pediu ao STF a apreensão dos passaportes de Flávio sete minutos após a confirmação de sua derrota na eleição presidencial, no domingo (25/10).
A representação foi assinada às 21h16, e Moraes atendeu ao pedido na mesma noite, determinando que o senador entregasse passaporte comum, diplomático e eventuais documentos de outras nacionalidades.
O prazo terminou às 11h de ontem, terça-feira (27/10). Como o senador não cumpriu a determinação, a PF cancelou os documentos e comunicou o descumprimento ao ministro.
Flávio ficou sem aparecer publicamente durante toda a terça-feira. Aliados afirmaram que ele havia deixado o Brasil, mas o gerente de campanha negou a informação, e a PF passou a verificar cruzamentos de fronteira e possíveis rotas de fuga.
Rota pela Argentina
O portal argentino Infobae relatou que Flávio teria cruzado a fronteira Brasil-Argentina rumo a Puerto Iguazú e embarcado em um avião particular com destino aos Estados Unidos. A versão foi reproduzida por veículos brasileiros e internacionais, mas não foi confirmada oficialmente.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina e a Casa Rosada afirmaram não ter registro de entrada do senador no país. Autoridades argentinas também inspecionaram uma aeronave e sua tripulação no aeroporto de Puerto Iguazú, mas não encontraram plano de voo que listasse membros da família Bolsonaro.
Vistos e apoio dos EUA
Uma autoridade do Departamento de Estado informou à Reuters que os Estados Unidos emitiriam vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitiriam a entrada deles no país. O Departamento é liderado pelo secretário de Estado Marco Rubio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que aprova a vinda de Flávio ao país. “Bem, eu aprovaria”, declarou Trump a repórteres, ao dizer que havia ouvido que o senador estava na Argentina.
Não há, porém, confirmação oficial de pedido ou concessão de asilo político. O Departamento de Estado afirmou que o caso está sob responsabilidade própria e negou envolvimento direto da Casa Branca na operação.
Versões de aliados
Aliados do senador descrevem a viagem como um “exílio político” e alegam perseguição por parte do ministro Alexandre de Moraes. Segundo fontes próximas à família, Flávio teria viajado com a esposa e as duas filhas, com apoio de Rubio e a possibilidade de apoio de Trump.
O advogado Simón Levy, ligado ao movimento MAGA, afirmou que Flávio chegou “em segurança” aos Estados Unidos e atribuiu a articulação da viagem a Rubio. Essas declarações, contudo, não foram confirmadas oficialmente pelo governo americano nem pelas autoridades brasileiras.

Investigação e próximos passos
A PF apura como Flávio teria deixado o território brasileiro, já que não há registro formal de saída. A corporação também investiga se ele cruzou a fronteira com a Argentina por via terrestre antes de embarcar para os EUA.
O senador segue sob investigação no STF e foi intimado a entregar os passaportes por risco de fuga. Enquanto não houver confirmação oficial de sua localização, permanecem sem esclarecimento a rota exata, a forma de saída do Brasil e o eventual pedido de asilo político nos Estados Unidos.
Confirmação de voo em trânsito
O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e suas duas filhas, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, entraram na Argentina na noite dessa terça-feira (27). A informação foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Em nota, o órgão detalhou que o acesso ocorreu às 22h50 por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Às 23h30, Flávio e família, segundo o governo argentino, embarcaram em um avião privado da companhia Baires Fly e seguiram para Guayaquil, no Equador, conforme informado no plano de voo.
Ainda de acordo com a Direção Nacional de Migração da Argentina, os quatro apresentaram documentação válida para viagem, sem nenhum impedimento legal para entrar no país. “A travessia foi registrada pela autoridade migratória sem incidentes”, informou o órgão.







