Mesmo no partido da prefeita, Maicon Nogueira denunciou favorecimento a sobrinho e empreguismo político.
Dois pedidos de informações encaminhados pelo vereador Maicon Nogueira (PSD) à Prefeitura de Campo Grande e rejeitados pela Câmara Municipal, cuja ampla maioria é governista, sinalizam um agudo conflito que a prefeita Adriane Lopes (PSD) está vivendo em sua própria base. E isto porque o apoio majoritário torna-se quase silencioso, diante do alto e contundente ruído dos poucos oposicionistas.
Correligionário da prefeita, ambos são filiados ao PP, Maicon é primo do deputado estadual Lídio Nogueira Lopes (Avante), marido da prefeita.
Isto não o impediu de saltar fora do regaço do Executivo e abrir um nicho oposicionista dentro da base governista. Ao romper, explicou que não tinha mais como continuar defendendo o indefensável diante de tanta pressão popular contra a caótica gestão da cidade. E assim criou o bloco do “fogo amigo”.
Maicon juntou-se aos poucos vereadores de oposição e reforçou as críticas e o tom das denúncias e questionamentos. Vem materializando esta atitude votando projetos que desagradam o Executivo, em discursos e expedientes regimentais, entre os quais o pedido de informações que a prefeita é obrigada a responder.
Recentemente, ao levantar dúvidas sobre intervenções nebulosas da prefeitura, Maicon fez dois desses pedidos e ambos foram rejeitados pela maioria. Em um dos pedidos o vereador cobrou explicações sobre obras que a prefeitura entregou à MGM Construções, entre as quais a revitalização da Emei Iber Gomes de Sá, cujo serviço de pintura custou mais de R$ 1 milhão. Segundo Maicon, o proprietário da empresa é Michel Lopes de Almeida, sobrinho de Lídio e Adriane. Ele suspeita de favorecimento irregular. O pedido de informações foi derrubado por 12 votos a três.
Maicon entrou com uma representação formal para a abertura de uma comissão processante contra a prefeita. A denúncia aponta para uma possível fraude na Lei de Licitações.
Os registros comerciais indicam que a MGM Construções está localizada na Rua Vênus, 260, Vila Planalto. Suas atividades principais construção, reformas, obras de montagem industrial e regularização de imóveis.
Fins eleitoreiros
Outra ofensiva do vereador derrubada pela bancada ‘Adrianista’ foi um requerimento solicitando ao Executivo informar o local e o horário de expediente de mais de 2.700 beneficiários do Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho (Primt).
Ele suspeita que o programa – nos moldes do extinto e manchado Proinc, um dos alvos de escândalo na gestão de Marquinhos Trad – estaria sendo utilizado com fins político eleitorais.
Executado pela Fundação Social do Trabalho (Funsat), o Primt tem um sistema de primeiro emprego, que oferece trabalho temporário, renda e capacitação a pessoas de 18 a 67 anos em situação de vulnerabilidade social, que estejam desempregadas e inscritas no CadÚnico, com renda familiar de até meio salário mínimo por cada membro.
O requerimento foi rejeitado por 9 a 8. O vereador Maicon Nogueira não tem dúvidas: a prefeita Adriane Lopes operou para impedir o avanço destas iniciativas.








