A culpa é do mordomo?
Quando se critica um governante ou qualquer outro agente público é necessário avaliar a procedência da crítica. Não importa quem a faça. O que importa é o conteúdo. No caso da prefeitura ou da prefeita de Campo Grande, o verbo criticar tem sido tão usado pela população quanto outro que vem crescendo, o arrepender, tendo como objeto a crise do transporte coletivo.
Não é oposicionismo desta Folha. Absolutamente. É o exercício do legítimo e democrático direito de criticar, cobrando as responsabilidades e fazendo sugestões, propondo, colaborando.
Mas, quando inúteis todas as tentativas de alertar ou de chamar à razão as cabeças que vem andando fora do prumo, não resta à sociedade outra alternativas a não ser criticar o malfeito, a incompetência, o imobilismo, a fuga das obrigações.
Uma das manchetes que amanheceram em Campo Grande no final da semana passada, e não é obra deste veículo, mas de outro respeitável meio de comunicação eletrônica, o site Campo Grande News: “Pendência de R$ 117 milhões deixa prefeitura com restrições e bloqueia repasses”. E aí vai a informação: “A Prefeitura de Campo Grande está com o nome sujo desde 7 de outubro por pendência de R$ 117,7 milhões”. Ou seja: a prefeitura não vem cumprindo sua obrigação com as empresas.
A informação não é mera intriga da oposição. É tão verdade que a própria secretária de Fazenda, Márcia Hokama, técnica que só obedece à prefeita, concorda, mas pega a sua corda para jogar a culpa no governo estadual. Justificativa opaca. Confissão de inaptidão política, financeira, administrativa e social.
É o governo estadual que, mesmo sem tal responsabilidade, vem mantendo anualmente este auxílio contratualizado para ajudar no custeio do passe estudantil. Faz sua parte. A prefeitura, contudo, escorrega, dá voltas, faz de conta que vai chover, põe o guarda-chuva sobre a cabeça e vai tricotar com os apaniguados da folha secreta.
Enquanto isso, a cidade segue sofrendo com o festival de horrores protagonizado pela primeira mulher eleita para administrar a Capital.
O sonho acabou!






