Versão apresentada em depoimentos relaciona crime a uma suposta dívida de R$ 50 mil; Polícia Civil vai apurar eventual participação de mandante e de outras pessoas.

O roubo de um Jeep Renegade que terminou com duas mulheres rendidas, sequestradas e agredidas na noite de segunda-feira (14/09), no Bairro Monte Castelo, em Campo Grande, pode ter sido encomendado pelo ex-companheiro de uma das vítimas. A informação foi relatada por suspeitos presos em flagrante, mas ainda depende de investigação da Polícia Civil.
Segundo os depoimentos colhidos pela Polícia Militar, a suposta motivação seria uma dívida de R$ 50 mil envolvendo um homem boliviano. Os investigados também apresentaram versões diferentes sobre quem teria articulado a ação e sobre o valor que seria pago pelo roubo: as quantias citadas variam de R$ 5 mil a R$ 8 mil.
As vítimas, de 21 e 25 anos, foram abordadas por três homens armados por volta das 20h25, quando uma delas deixava a amiga em casa, na Rua 14 de Julho. Os criminosos bateram no vidro do Jeep Renegade preto e mandaram que as portas fossem abertas.
Uma das mulheres foi colocada no banco traseiro, onde permaneceu ao lado de dois dos autores. A outra foi obrigada a continuar dirigindo, com o terceiro suspeito no banco da frente. Durante o trajeto, conforme o relato prestado pelas vítimas, o grupo realizou chamadas de vídeo para uma terceira pessoa e perguntou o que deveria fazer com as jovens. A resposta recebida, segundo elas, foi para que as duas fossem mortas.
Apesar das ameaças, as mulheres foram abandonadas posteriormente na região central, em frente a um estabelecimento na Rua Barão do Rio Branco. Antes disso, ambas foram agredidas com coronhadas. Um dos criminosos havia descido nas proximidades da antiga rodoviária, enquanto os outros dois seguiram no veículo com as vítimas e depois fugiram levando o Jeep.

Suspeitos teriam monitorado vítimas
O possível planejamento do crime também é investigado. Conforme informações que constam nos depoimentos, as vítimas teriam sido observadas pelos suspeitos em frente a uma academia antes de serem abordadas no Monte Castelo.
Um dos homens presos, de 20 anos, teria afirmado que o roubo foi articulado pelo ex-companheiro de uma das mulheres em razão da dívida. Ainda segundo essa versão, ele receberia R$ 4 mil pelo crime, enquanto outro participante ficaria com R$ 1 mil.
Outro investigado declarou ter ouvido conversas sobre a suposta encomenda do roubo, também associada à dívida e a um cidadão boliviano. Já um terceiro suspeito confessou participação na ação e disse que foi chamado para o crime porque precisava de dinheiro. Ele alegou que o autor de 20 anos mantinha contato, por telefone, com um homem identificado apenas como boliviano enquanto o roubo era executado.
As declarações são versões dos investigados e ainda deverão ser confrontadas pela Polícia Civil, que busca esclarecer a participação de cada envolvido, identificar a pessoa que aparecia nas videochamadas e verificar se houve, de fato, mandante do crime.
Jeep foi achado em quintal
Durante a abordagem, uma das vítimas conseguiu esconder o celular sob o tapete do veículo, na tentativa de contribuir com a localização do automóvel. O aparelho, porém, não pôde ser rastreado naquele momento.
Por volta das 4h26 de terça-feira (15/09), equipes da Força Tática localizaram o Jeep Renegade escondido no quintal de uma residência na Rua Altino de Almeida Santiago, no Residencial Ana Maria do Couto. O morador informou que dois homens haviam deixado o veículo no local e dito que retornariam mais tarde para buscá-lo.
A partir das informações obtidas no imóvel, os policiais chegaram a um hotel na Rua Dom Aquino, na região central. Três suspeitos foram levados à delegacia. Um deles teria admitido participação no roubo e indicado onde havia escondido a arma usada na ação.
No local, os policiais apreenderam um revólver Taurus calibre .38 Special, encontrado dentro de um saco plástico em um quarto nos fundos do hotel. Também foram recolhidas seis munições do mesmo calibre, sendo cinco deflagradas e uma intacta.
O Jeep foi encaminhado à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). A ocorrência foi registrada como roubo majorado pelo emprego de arma de fogo, concurso de pessoas e restrição da liberdade das vítimas, além de crime relacionado à arma apreendida.
Os três presos devem passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (16/09), no Fórum Heitor Medeiros. Na ocasião, a Justiça decidirá se mantém as prisões ou se concede liberdade aos investigados.






