Um galo visível na testa — hematoma na região frontal — reforça o mistério em torno da morte de Raquel Perciliano, de 59 anos, técnica de enfermagem e servidora pública de Terenos (MS).

Segundo a Polícia Civil, Raquel Perciliano, de 59 anos, sofreu um infarto durante relação sexual com Antônio Cipriano da Silva, de 48 anos, parente de um vereador do município de Terenos. De acordo com o depoimento, o encontro extraconjugal ocorreu na madrugada de domingo (27/7), na rodovia MS‑355, zona rural de Terenos, e não seria a primeira vez.
De acordo com o depoimento de Antônio, o casal se encontrou por volta das 2h30 da madrugada, quando Raquel apresentou falta de ar e dores no peito. Ao perceber que ela estava sem pulso, ele decidiu não buscar socorro. Rodou com o corpo no carro por quase duas horas, antes de abandonar a vítima em uma vala de 70 cm de profundidade, próxima a um córrego na zona rural, cobrindo-a com um tapete que levava no veículo.
Delegado Gabriel Desterro fala sobre o caso
Em entrevista o delegado que recebeu o caso, Gabriel Desterro, esclareceu os principais pontos da investigação:
“A princípio, estamos tratando o caso como homicídio culposo e ocultação de cadáver. O depoimento do Antônio indica que houve um mal súbito, mas o hematoma na testa da vítima está sendo analisado para saber se se trata de acidente durante a queda ou possível intervenção física pré-morte. A perícia está em andamento com exame toxicológico, necroscópico e coleta de imagens de câmeras próximas à MS‑355. O laudo pericial deve ser concluído em até 30 dias”, afirmou o delegado .
Até o momento, a perícia preliminar apontou sinais compatíveis com ataque cardíaco, corroborando a versão dada por Antônio. No entanto, o trauma na face da vítima, sem evidência de luta ou resistência, levanta a hipótese de que a lesão tenha ocorrido antes da morte, motivando a investigação mais profunda nesse sentido.
Delegado Mateus Crovador assume o caso
O delegado Mateus Crovador retornou nesta terça-feira (29/07) das férias e agora assume o caso. Ele informou que vai analisar os fatos e espera o luto da família para começar a ouvir os depoimentos.
“Vamos analisar as câmeras de segurança do município para checar o itinerário do veículo. Depois, vou ouvir o marido e os filhos da vítima e também vou juntar o laudo e as informações médicas. Aí faremos a reprodução simulada. A princípio, existem duas possibilidades: pode ser que ela tenha tido uma morte natural mesmo; aí ele responde por omissão de socorro e ocultação de cadáver. Mas, se ficar caracterizado que ele foi o causador da morte, será autuado por feminicídio”, pontuou o delegado.
Sobre a mulher ter sido jogada viva na valeta, ainda não é possível afirmar. O delegado precisa do laudo para confirmar ou contestar a versão dada por Antônio que chegou a cobrir o corpo com um tapete. O caso foi registrado, a princípio, como morte por causa indeterminada e ocultação de cadáver.
Repercussão local e próximos passos
A prefeitura de Terenos decretou luto oficial após a confirmação da morte de Raquel, que trabalhava na área da saúde do município. O enterro foi realizado na manhã de segunda-feira (28/7). A família da técnica de enfermagem ainda não se manifestou formalmente sobre o caso.
A equipe da polícia aguarda também depoimentos de testemunhas e análise de câmeras na região para confirmar a rota percorrida por Antônio e o tempo exato em que o corpo permaneceu no carro antes de ser abandonado na vala.
O caso de Raquel choca pela combinação de morte súbita, relação extraconjugal e a decisão de ocultar o corpo em vez de solicitar socorro. A descoberta do hematoma no rosto acrescenta complexidade ao inquérito. A conclusão da perícia será determinante para definir se houve dolo ou se trata de tragédia acidental seguida de atitude desesperada por parte de Antônio.






