Tentativa de feminicídio ocorreu no Jardim Itália. A vítima está na UTI da Santa Casa de Campo Grande em estado grave, enquanto acusado segue monitorado por tornozeleira eletrônica pela Justiça.

Uma adolescente de 14 anos sofreu queimaduras de 2º e 3º graus após ter o corpo incendiado pelo ex-companheiro de 37 anos, em uma residência na Rua Roma, no bairro Jardim Itália, em Dourados, a 251 km de Campo Grande. O crime foi registrado como tentativa de feminicídio.
O caso aconteceu na noite de quarta-feira (27/08). De acordo com familiares, a jovem foi surpreendida dentro de casa, onde morava com a mãe e outros parentes. O suspeito, com quem mantinha um relacionamento há cerca de três meses, teria jogado álcool sobre ela e em seguida ateado fogo.
Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, a vítima foi levada inicialmente para a UPA de Dourados, mas devido à gravidade dos ferimentos precisou ser transferida de helicóptero para a Santa Casa de Campo Grande, onde permanece internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O boletim médico aponta que o estado de saúde dela é grave, com risco de complicações.
O suspeito foi localizado na sexta-feira (29/08) pela Polícia Civil, quando seguia em direção a Bonito. Ele foi levado para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Dourados, prestou depoimento e negou o crime, alegando acidente. Mesmo assim, a Justiça decretou que ele seja mantido sob monitoramento com tornozeleira eletrônica.
Segundo a delegada Maria Gabriela Vanoni, responsável pelo caso, o relacionamento teria começado pela internet e rapidamente evoluído para a convivência dentro da casa da vítima, junto com a família. “Eles moravam na mesma residência, mas a relação era consensual. A investigação segue para apurar se houve premeditação e quais foram as circunstâncias do crime”, explicou.
A Polícia Civil continua colhendo depoimentos de familiares e vizinhos. O depoimento da adolescente será fundamental para esclarecer a motivação da agressão.
A mãe da adolescente, visivelmente abalada, declarou à imprensa local que viveu momentos de pânico e tristeza: “Vi minha filha sendo atingida pelas chamas… foi horrível”, lamentou. Ela reforçou o pedido de justiça e maior proteção às mulheres e criticou que o monitoramento eletrônico seja aplicado tão mencionado: “Como confiar em uma tornozeleira? Queremos punição, não mais risco”.
Avó materna, presente durante o atendimento, emocionada, complementou: “Ela é nossa neta, nosso anjo… precisa sobreviver, ser forte. Nós vamos lutar por ela, não deixaremos que esse agressor fique impune.”
O caso acontece justamente durante o Agosto Lilás, mês de conscientização contra a violência doméstica, período em que Mato Grosso do Sul já registrou 24 feminicídios e 49 tentativas em 2025.
Imagem ilustrativa da ala de queimados na Santa Casa de Campo Grande (MS)








