Ação em MS e outros seis estados visa desmantelar rede criminosa que incentiva atos violentos entre jovens, utilizando a internet.

Nesta terça-feira (15/04), a Polícia Civil do Rio de Janeiro lançou uma operação contra uma das maiores organizações criminosas do Brasil, que tem promovido “brincadeiras” na internet e incentivado comportamentos violentos entre crianças e adolescentes, com potencial para resultar em tragédias. A operação abrange Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, com o cumprimento de mandados judiciais.
Recentemente, um “desafio do desodorante” em uma rede social pode ter levado à morte de uma menina de oito anos no Distrito Federal, que inalou o gás. Em resposta, a polícia iniciou a operação Adolescência Segura contra essa quadrilha, cumprindo 20 mandados de busca e apreensão, 2 de prisões temporárias e 7 medidas de internação provisória de adolescentes infratores, com o apoio de policiais civis de sete estados e do CyberLab da Secretaria Nacional de Segurança. Até agora, dois homens foram presos e dois menores apreendidos.
Em Mato Grosso do Sul, as ordens judiciais estão sendo executadas pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). A Polícia Civil revelou que a rede criminosa é altamente estruturada. As investigações começaram em 18 de fevereiro de 2025, após um ataque brutal a um morador de rua, que teve 70% do corpo queimado por um adolescente que lançou coquetéis molotov, enquanto outro homem filmava e transmitia ao vivo.

A investigação revelou que esse crime não foi um caso isolado. Os administradores do servidor utilizado no crime formavam uma organização criminosa especializada em diversos delitos cibernéticos, com foco em crianças e adolescentes. O grupo promovia desafios e competições que incentivavam automutilação coletiva, crueldade contra animais e incitação ao ódio, oferecendo recompensas para os que se destacavam nas atividades criminosas.
A gravidade da atuação do grupo chamou a atenção de duas agências independentes dos Estados Unidos, que emitiram relatórios sobre o caso, auxiliando nas investigações no Brasil. A atuação criminosa se espalhava por várias plataformas digitais, utilizando manipulação psicológica e aliciamento de vítimas em idade escolar, representando um risco extremo à integridade física e mental de crianças e adolescentes.
Os envolvidos na investigação enfrentarão diversas acusações, incluindo tentativa de homicídio, induzimento e instigação ao suicídio, armazenamento e divulgação de pornografia infantil, maus-tratos a animais, apologia ao nazismo e crimes de ódio em geral. O “desafio do desodorante” é considerado pela Polícia Civil do Distrito Federal como um dos principais fatores que levaram à morte da menina Sarah Raíssa Pereira, de 8 anos, que inalou o gás.








