Vítima que teve mais de 30% do corpo queimado gravou no hospital nova versão dos fatos e a defesa afirma que o caso pode mudar de rumo. Lidiane segue presa por tentativa de homicídio qualificado .

Um homem que sofreu queimaduras em mais de 30% do corpo voltou a falar sobre o episódio que envolve a esposa, a médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, presa e denunciada por tentativa de homicídio qualificado em Campo Grande.
Em vídeo gravado no hospital, ele apresenta uma versão diferente da fornecida inicialmente e pede que a mulher seja ouvida, enquanto a defesa sustenta que o material pode mudar os rumos do processo.
O que diz a defesa
A defesa de Lidiane afirma que o vídeo foi gravado espontaneamente pela vítima depois que ele apresentou melhora clínica e tomou conhecimento da situação processual da mulher.
Os advogados dizem que o conteúdo foi encaminhado à Polícia Civil com pedido de juntada ao inquérito e de oitiva formal do homem, que ainda não havia prestado depoimento oficial quando a investigação foi concluída.
Segundo os defensores, esse novo elemento surgiu depois da audiência de custódia e da análise do pedido para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, alternativa que já foi recusada pela Justiça. Lidiane segue presa preventivamente.
A defesa também afirma que confia na avaliação do Judiciário e defende que todas as provas sejam analisadas sob contraditório e ampla defesa.

O que diz Lidiane
Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, foi presa em 22 de junho, suspeita de jogar álcool e atear fogo no marido durante uma discussão na casa da família, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.
Em depoimento à Polícia Civil, ela confessou ter jogado álcool líquido na mochila do marido para impedir que ele viajasse para Brasília, mas negou intenção de matá-lo.
A veterinária afirmou que o fogo teria começado de forma acidental, após uma faísca de isqueiro que ela segurava, e disse que tentou ajudar a retirar a camisa em chamas do corpo da vítima.
Ela também relatou que a briga aconteceu por causa de uma suposta traição, disse estar arrependida e declarou que faz tratamento para depressão e transtorno de ansiedade generalizada, tendo interrompido a medicação cerca de duas semanas antes do episódio.
O que diz a vítima
A vítima é um diretor do IFMS, de 41 anos, servidor público federal e professor. Ele deu entrada em hospital particular de Campo Grande com queimaduras graves em parte do corpo e, segundo informações médicas e policiais divulgadas até agora, sofreu lesões em mais de 30% da superfície corporal, com atingimento principalmente de tronco e braços.
No vídeo gravado já no hospital, o homem reafirma sua versão e apresenta sua leitura sobre o que aconteceu. O material passou a ser usado pela defesa como reforço à tese de que a dinâmica do episódio ainda precisa ser esclarecida com mais precisão.
Situação da família
O casal tem um filho de 9 anos, que está sob os cuidados da filha de 22 anos. O ponto familiar passou a integrar o contexto do caso porque a prisão da acusada e a internação da vítima alteraram completamente a rotina da casa.
A situação também é acompanhada por causa da gravidade do caso e do impacto direto sobre os filhos, que ficaram responsáveis por reorganizar os cuidados da família enquanto o processo avança.
Como foi o caso
O episódio ocorreu em 22 de junho, quando a vítima foi socorrida com queimaduras extensas e levada para atendimento intensivo em estado grave. Conforme a investigação, houve uma discussão entre o casal e, em seguida, a mulher teria jogado álcool 70% sobre o marido e provocado a ignição do produto.
A Polícia Militar foi acionada pelo hospital após a chegada da mulher à unidade, onde ela tentou visitar o companheiro, o que levantou suspeita de risco de novas interações entre os dois naquele momento. O caso foi encaminhado à Polícia Civil e passou a ser tratado como lesão corporal dolosa, até a formalização da denúncia por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de fogo.
Processo em andamento
Com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a ação penal deve avançar com análise das provas, oitiva de testemunhas e manifestação das partes perante a Justiça. A defesa de Lidiane afirma que não quer antecipar discussão sobre o mérito, mas insiste que todos os elementos, inclusive o vídeo gravado no hospital, sejam avaliados antes de qualquer definição final.
A vítima, segue em recuperação, foi retirado do coma induzido e o estado de saúde dele em função das queimaduras nos braços e tronco, já é apontado como de evolução clínica suficiente para permitir a gravação do novo depoimento.
Assista ao vídeo gravado pela vítima:






