Servidor que atropelou Letícia Camargo em Coxim às 7h da manhã, estava com CNH vencida há mais de 1 ano, no momento do acidente estava utilizando o celular e dirigia na contramão. O motorista se negou em fazer o teste de bafômetro.

O prefeito de Coxim, Edilson Magro (PP), exonerou na noite desta quinta-feira (13/11) o gerente municipal de transporte, Djair Bezerra Leite, um dia após o atropelamento que resultou na morte da estudante de enfermagem da UFMS Letícia Camargo, de 25 anos. A decisão ocorre em meio à forte pressão popular e às acusações de negligência feitas pela família da jovem.
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A morte de Letícia, atropelada às 7h da manhã quando caminhava para o estágio na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), expôs uma série de irregularidades envolvendo o motorista do veículo oficial da Secretaria de Educação de Coxim.
Cleyton Matos Campos, servidor municipal, estava com a CNH vencida há mais de um ano e confessou que usava o celular no momento da colisão. Além disso, dirigia em alta velocidade, na contramão e apresentava comportamento alterado.
Relatos de uma passageira revelam ainda que o motorista demonstrava sono, irritação e dificuldade para se manter desperto. Ele chegou a pedir que a passageira comprasse balas para ajudá-lo a ficar acordado. Testemunhas também afirmaram que, logo após o atropelamento, Cleyton desceu do veículo gritando que havia matado a jovem. O servidor foi preso em flagrante por homicídio doloso.
A decisão de exonerar o gerente de transporte foi divulgada pelo próprio prefeito nas redes sociais e representa um novo capítulo da crise enfrentada pela gestão. Mais cedo, Edilson Magro havia negado omissão por parte do município, mas a família de Letícia contestou.
Os pais da jovem, Neliane da Silva Camargo, 41 anos, e Manuel Rodrigues da Silva, 54, afirmam que não receberam nenhuma ligação, mensagem ou visita oficial desde o acidente. “É mentira dizer que deram apoio”, declarou o pai.
No velório, segundo os familiares, o acolhimento veio apenas de vizinhos, parentes, colegas de curso e professores — e não da administração pública.
Mesmo após classificar o caso como “fatalidade”, o prefeito reconheceu a irresponsabilidade do servidor e anunciou abertura de sindicância para investigar possíveis falhas internas. Ele disse ainda que não compareceu ao velório “para evitar revolta” e pretendia procurar a família após o enterro.
Letícia já tinha concluído e apresentado o Trabalho de Conclusão do Curso de Enfermagem da UFMS (TCC) e seria a primeira pessoa da família a concluir um curso universitário, com a formatura prevista para o próximo mês de dezembro.
O acidente
Letícia foi atropelada por volta das 7h de quarta-feira (12/11), na Avenida Mato Grosso do Sul, enquanto seguia a pé para a universidade devido a um problema no pneu da bicicleta. O impacto causou a morte imediata da estudante, cuja trajetória foi interrompida pela soma de imprudências de um servidor que, mesmo com histórico de irregularidades e sinais de esgotamento, estava ao volante de um veículo oficial.
Confira o vídeo do atropelamento de Letícia.






