Detenção ocorre antes de conclusão do alerta vermelho da Interpol.

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), foi preso neste domingo (02/07) pela polícia da Bolívia por ingresso e permanência irregulares em território boliviano. fosse concluído. Até o momento da prisão, Neno Razuk não possuía mandado internacional de captura formalizado, apesar de a Justiça de Mato Grosso do Sul ter autorizado, em 28 de julho, a inclusão de seu nome no sistema de alerta da organização policial internacional. A expectativa das autoridades brasileiras é de que o ex-parlamentar seja entregue para cumprir pena no Brasil, mas os trâmites de extradição ou transferência ainda dependem de entendimentos entre os dois países.
O advogado Ricardo Souza Pereira, responsável pela defesa de Neno Razuk, afirmou que ainda não recebeu confirmação oficial da prisão, nem do cliente, nem de nenhuma autoridade. Até a publicação desta matéria, as autoridades brasileiras e bolivianas não haviam divulgado informações oficiais sobre os procedimentos que serão adotados após a detenção.
Condenação e Operação Successione
Ex-deputado responde por organização criminosa, roubo e jogo do bicho. Neno Razuk é investigado no âmbito da Operação Successione desde dezembro de 2023 e foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. A sentença, proferida em 15 de dezembro de 2025 pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande, estabeleceu pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, mas o ex-deputado recorria da decisão em liberdade.
Além dessa condenação, Neno é réu na quarta fase da Operação Successione, deflagrada em 25 de novembro de 2025, que investiga supostos crimes de organização criminosa, roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal relacionada à exploração de jogos de azar. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo liderado pelo “clã” Razuk — formado pelo pai, Roberto Razuk, e os filhos Jorge, Rafael e Neno — teria articulado um esquema para assumir o controle da exploração do jogo do bicho no Estado, movimentando pelo menos R$ 600 mil por mês.
Nas investigações, foram apreendidos R$ 274 mil em dinheiro, mais de mil euros em espécie e documentos, e o MPMS pediu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk. O pai de Neno, Roberto Razuk, já cumpre prisão domiciliar por envolvimento com a contravenção, enquanto os irmãos Jorge e Rafael Razuk também foram alvo de mandados de prisão na quarta fase da operação.
Perda de mandato e fuga
Ex-parlamentar perdeu cargo em maio e deixou de ter foro privilegiado. Em maio de 2026, Neno Razuk perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral, deixando também de ter foro por prerrogativa de função. Com a perda do cargo, ele não contava mais com a imunidade parlamentar que o protegia, o que permitiu que a Justiça decretasse sua prisão preventiva para início do cumprimento da pena aplicada em dezembro de 2025.
O ex-deputado está foragido desde 8 de julho de 2026, quando a Justiça determinou o início do cumprimento da pena. Em 28 de julho, a Justiça de Mato Grosso do Sul oficializou o pedido para que o nome de Neno Razuk entrasse na lista de procurados da Interpol, destacando indícios de que o ex-deputado foragido estaria fora do país.
Para que o nome de Neno fosse incluído na difusão vermelha, ainda restava a aprovação pela sede da Interpol, em Lyon, na França, já que a organização é proibida de intervir em assuntos de caráter político, militar, religioso ou racial. Depois que o nome do ex-parlamentar fosse listado, uma notificação seria emitida em 196 países, que teriam alerta com nome, foto, dados de passaporte e impressões digitais de Neno, integrando os sistemas de imigração desses países.
Lista de procurados da Interpol em MS
Mato Grosso do Sul passa a ter oito procurados em 196 países. A inclusão de Neno Razuk na lista vermelha da Interpol eleva para oito o número de procurados de Mato Grosso do Sul em 196 países. A entrada de Neno Razuk na lista vai ampliar o número de sul-mato-grossenses com alerta internacional divulgado publicamente pela Interpol, mas difere dos demais casos por responder a uma investigação distinta e não possuir vínculo conhecido com os outros procurados. A decisão foi fundamentada no risco à ordem pública e nos indícios levantados de que o ex-parlamentar possa estar fora do país.






