Paciente de 21 anos deu entrada na UPA do Universitário ontem relatando mal-estar, náuseas, vômito escuro e morreu 1h30 depois.

A Polícia Civil investiga a morte de um jovem de 21 anos, morador de Campo Grande, por suspeita de intoxicação por metanol — caso que pode ser o primeiro do tipo registrado em Mato Grosso do Sul. O rapaz chegou à UPA Universitário na noite de quarta-feira (02/10) com sintomas de mal-estar gástrico, náuseas e vômito escuro. Ele morreu cerca de uma hora e meia após dar entrada na unidade.
De acordo com o registro da ocorrência, o paciente chegou consciente, orientado e caminhando por conta própria. Foi classificado como caso de prioridade média (cor amarela) e aguardava atendimento no saguão. Aproximadamente 15 minutos depois, sofreu uma crise convulsiva, perdeu a consciência e foi levado à sala vermelha.
Equipes médicas iniciaram manobras de reanimação e realizaram intubação. O rapaz chegou a apresentar retorno da circulação após 36 minutos, mas sofreu uma nova parada cardiorrespiratória. Após 12 minutos de tentativa de reanimação, o óbito foi confirmado às 19h53.

Investigação sobre a bebida ingerida
Familiares relataram versões diferentes sobre a origem da bebida consumida. Segundo a mãe, a cachaça teria sido comprada em um supermercado. Já o irmão afirmou que adquiriu a bebida em uma conveniência do bairro Jardim Colibri, a pedido do jovem, pois o comércio habitual estava fechado. A informação reforça a suspeita de que a bebida pode ter sido adulterada.
Na UPA, o frasco da bebida foi retido conforme protocolo da Rede Municipal de Saúde. Amostras de sangue e urina do paciente foram coletadas e encaminhadas para o Lacen (Laboratório Central) e para o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), onde também será feito o exame necroscópico.
Além da bebida consumida, investigadores recolheram outros frascos de álcool encontrados na residência do jovem. A Decon (Delegacia do Consumidor) também foi acionada e, na manhã desta sexta-feira (03/10), esteve na UPA para recolher o frasco de cachaça. Em seguida, seguiu para a conveniência onde a bebida teria sido comprada, acompanhada por equipes do Procon e da Vigilância Sanitária.
Não há confirmação de que tenha alguma relação com os casos de intoxicação por metanol registrados no Brasil, mas exames toxicológicos vão apontar a causa da morte. Segundo o boletim de ocorrência, há a solicitação para ‘que seja verificada eventual intoxicação, inclusive por metanol, sendo encaminhado o corpo ao IML para exame necroscópico’.
Primeira suspeita de metanol em MS
A substância suspeita, o metanol, é um tipo de álcool utilizado na indústria, especialmente como solvente e componente de combustíveis. Diferente do etanol — usado em bebidas alcoólicas —, o metanol é extremamente tóxico para consumo humano. O perigo é agravado pelo fato de não ter cheiro, cor ou sabor, podendo ser adicionado ilegalmente a bebidas sem levantar suspeitas.
Ao ser ingerido, o metanol é transformado no fígado em compostos altamente nocivos, como o ácido fórmico (formol), que podem causar desde náuseas e confusão mental até cegueira irreversível, falência de órgãos e morte. A gravidade da intoxicação depende da quantidade ingerida e da rapidez no atendimento médico.
O histórico médico da vítima revelou que ele fazia uso de álcool desde os 12 anos de idade, o que pode ter contribuído para a gravidade do quadro.
Autoridades reforçam fiscalização
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou, por meio de nota, que não pode divulgar detalhes sobre o paciente por conta da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A pasta destacou que a Vigilância Sanitária segue com fiscalizações de rotina sobre a qualidade e procedência de bebidas alcoólicas vendidas em Campo Grande.
Até o momento, a secretaria afirma não ter identificado bebidas adulteradas nem outros casos confirmados de intoxicação por metanol na rede de saúde da capital.
Alerta nacional
Nos últimos meses, casos semelhantes foram registrados em outros estados, levantando suspeitas de uma possível circulação de bebidas adulteradas com metanol. O Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa, Ministério da Justiça, Ministério da Agricultura e vigilâncias sanitárias locais, montou uma Sala de Situação para acompanhar e coordenar ações em todo o país.








