‘Buraco sem fim’ prende ex-secretário e mira contratos do tapa-buraco em Campo Grande

Operação do Gecoc apura esquema de fraude em medições, pagamentos indevidos e desvio de recursos públicos na Sisep. A empresa sob apuração firmou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.

A ação é um desdobramento da ”Cascalhos de Areia”, de 2023. Na ocasião, foram presos diversos alvos por suspeita de superfaturamento, serviços não executados e fraudes em contratos com a prefeitura.  O MP-MS apurou que, entre 2018 e 2025, uma empresa investigada recebeu R$ 113,7 milhões, mas não fazia parte dos serviços e recebia por eles. 

A operação ‘Buraco sem fim’, deflagrada nesta terça-feira (12/05) pelo Gecoc, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão em Campo Grande. A ação investiga contratos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) ligados aos serviços de tapa-buracos e manutenção de vias não pavimentadas.

Entre os presos está o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, que comandou a pasta entre 2017 e 2023 e hoje ocupa o cargo de diretor-presidente da Agesul, no Governo do Estado. Até o momento, o MPMS não detalhou oficialmente a identidade dos outros seis alvos da operação.

Segundo as apurações, a investigação aponta a existência de uma organização criminosa que teria atuado de forma sistemática na fraude da execução dos serviços, com manipulação de medições e pagamentos indevidos. O objetivo seria permitir o desvio de dinheiro público e o enriquecimento ilícito dos investigados, além de comprometer a qualidade da malha viária da Capital.

Dinheiro apreendido na operação contra desvios em obras públicas. (Foto: Divulgação/MPMS).

Dinheiro vivo

Nas diligências, os agentes apreenderam R$ 429 mil em dinheiro vivo. Em um dos endereços ligados à investigação, foram encontrados R$ 186 mil. Em outro imóvel, o valor recolhido chegou a R$ 233 mil. Os mandados foram cumpridos em diferentes pontos de Campo Grande.

Levantamento citado pela investigação aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa sob apuração firmou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02. As equipes do Ministério Público e do Gaeco também recolheram documentos, processos e arquivos relacionados aos setores de tapa-buracos e manutenção de vias não pavimentadas na sede da Sisep, no Jardim Monumento.

A movimentação começou ainda nas primeiras horas da manhã e impediu a entrada de servidores no prédio antes da abertura do expediente. O MPMS ainda não divulgou o nome oficial da operação nem detalhou publicamente todos os crimes investigados.

Após escândalos, Governo demite Rudi Fiorese do comando da Agesul .

Exoneração do cargo atual no Governo
O Governo de Mato Grosso do Sul decidiu exonerar Rudi Fiorese do comando da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) após a prisão do engenheiro durante operação deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Gecoc. O ato de exoneração deve ser publicado na edição desta quarta-feira (13/05) do DOE (Diário Oficial do Estado).

Em nota, a Seilog, informou que tomou conhecimento da operação e destacou que a apuração se refere à atuação anterior de Rudi Fiorese na Secretaria de Obras da Capital.

O governo afirmou que a pasta não é alvo da investigação e que acompanha o caso para adotar medidas que garantam transparência na administração pública. Até o momento, não houve manifestação pública confirmada da prefeita Adriane Lopes sobre a operação.