Vítima, de 11 anos, sofreu queimaduras de terceiro grau, foi intubada e permanece internada em estado gravíssimo na Santa Casa. Polícia investiga versões diferentes para o caso.

O adolescente de 12 anos suspeito de atear fogo no corpo de um menino de 11 anos foi apreendido pela Polícia Civil em Campo Grande. O caso aconteceu na tarde de terça-feira (04/08), em uma residência na Vila Popular, e passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) como ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio.
A vítima sofreu queimaduras de terceiro grau em grande parte do corpo, precisou ser intubada e permanece internada na Santa Casa de Campo Grande. Informações divulgadas por veículos locais apontam que os ferimentos atingiram entre 80% e 85% do corpo da criança.
Crianças apresentaram versões diferentes
Inicialmente, o caso foi tratado como um acidente envolvendo álcool e fogo. Aos policiais, o adolescente apreendido afirmou que ele e o amigo brincavam com uma pedra nos fundos do quintal e usavam um galão com aproximadamente cinco litros de álcool.
Segundo o relato, quando um isqueiro foi aproximado do líquido inflamável, ocorreu uma combustão repentina e as chamas atingiram o menino de 11 anos. O adolescente também teria dito que tentou apagar o fogo usando água do chuveiro e recipientes da cozinha, além de pedir ajuda a vizinhos e coletores de lixo.
A versão, porém, é contestada pelo relato prestado pela vítima antes de ser intubada. Conforme a delegada Daniela Kades, da Deaij, o menino afirmou que o colega teria ateado fogo nele de propósito depois de uma discussão. “O menino que está hospitalizado contou no hospital, antes de ser intubado, que esse que foi localizado colocou fogo nele de propósito, depois que eles discutiram. Então não foi brincadeira, pelo que aparenta, não. O adolescente foi apreendido em flagrante por tentativa de homicídio.”
A partir desse depoimento, a ocorrência deixou de ser tratada apenas como acidente e passou a ser investigada como ato infracional análogo à tentativa de homicídio. A Polícia Civil ainda apura qual das versões corresponde ao que ocorreu na casa.
Menino saiu da casa para pedir ajuda
Após sofrer as queimaduras, o menino teria permanecido por cerca de 30 minutos dentro do imóvel antes de sair para pedir socorro. Ele foi encontrado por coletores de lixo que passavam pela região em um caminhão.
Os trabalhadores interromperam o serviço e ajudaram a criança. Depois, perguntaram se havia algum adulto responsável nas proximidades e foram orientados a procurar uma residência vizinha.
Uma moradora tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), enquanto outra solicitou um veículo por aplicativo para levar o menino à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Mônica. Na unidade, a equipe médica constatou a gravidade dos ferimentos e realizou a intubação. Em seguida, a criança foi transferida pelo Samu para a Santa Casa.
Mãe relata desespero
A mãe da vítima afirmou que ficou sabendo do caso enquanto trabalhava e disse que não sabia que o filho estava na casa do adolescente. Em entrevista ao Campo Grande News, ela relatou a gravidade do estado de saúde da criança. “Eu tenho a foto do meu filho saudável. Agora, se você for lá ver ele, não é ele. É outra criança.”
A mulher também falou sobre a incerteza em relação à recuperação do menino:
“Eu vi toda a pele saindo do corpo dele. Agora eu vou entrar para vê-lo de novo e não sei como vou encontrar meu filho. Não sei se ele vai sobreviver.”
Segundo a mãe, os dois meninos já haviam se desentendido anteriormente e ela orientava o filho a manter distância do colega.
“Eu já tinha afastado ele daquele menino. Não sei por que ele foi para lá.”
Ela ainda agradeceu à mulher que ajudou a criança logo após o menino sair da residência.
“Ela é uma amiga minha. Foi um anjo na minha vida. Se ela não tivesse ajudado meu filho, ele tinha morrido na frente daquela casa.”
Investigação segue sob sigilo
De acordo com as informações divulgadas, os dois meninos estavam sozinhos na residência no momento do ocorrido. A Polícia Militar foi acionada depois que a vítima deu entrada na UPA Santa Mônica e, posteriormente, localizou o adolescente de 12 anos no imóvel.
A equipe policial fotografou o local e recolheu informações sobre os objetos que teriam sido usados para auxiliar na perícia. O caso foi registrado inicialmente na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol) e depois encaminhado à Deaij.
Como os envolvidos são menores de idade, detalhes da investigação são mantidos em sigilo para preservar a identidade das crianças. A Justiça da Infância e da Juventude deverá decidir as medidas aplicáveis ao adolescente apreendido, incluindo a possibilidade de internação provisória.
A Polícia Militar reforçou o alerta para que álcool e outros líquidos inflamáveis sejam armazenados em locais seguros e mantidos fora do alcance de crianças e adolescentes.







