Um coronel aviador da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) foi detido na noite de segunda-feira (03/08) após um disparo de arma de fogo durante uma discussão entre sua esposa e a filha do casal, em uma residência no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande (MS).

Ocorrência e ferimentos
A Polícia Militar foi acionada após denúncia de disparo no interior do imóvel localizado na Avenida Sérgio Garabini. Ao chegarem ao local, os policiais confirmaram que a arma havia sido efetivamente disparada, mas nenhum dos envolvidos foi atingido pelo projétil.
A esposa do Coronel apresentou lesão corporal leve e recebeu atendimento de uma equipe do Corpo de Bombeiros no local. A filha, apontada como autora do disparo e da agressão, foi encaminhada à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e responsabilizada por lesão corporal no contexto de violência doméstica.
Prisão do militar por omissão de cautela
O coronel também foi conduzido à delegacia por omissão de cautela na guarda da arma de fogo. De acordo com o registro policial, ele ainda teria desobedecido à determinação dos agentes para não entrar na residência, que permanecia isolada para a realização da perícia técnica.
Os envolvidos foram apresentados à autoridade policial para as providências cabíveis, incluindo a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido.
Omissão de cautela e Lei Maria da Penha
A omissão de cautela na guarda de arma de fogo é tipificada no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003) e prevê pena de detenção para quem deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 anos ou pessoa incapaz se apodere de arma de fogo sob sua posse. A legislação determina que o proprietário ou responsável pela arma adote medidas para evitar acesso indevido, especialmente em situações de risco.
No contexto da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), casos de violência doméstica que envolvem arma de fogo são considerados agravantes, e a presença do equipamento pode elevar o potencial letal da agressão. A lei estabelece medidas protetivas de urgência e determina que situações de risco iminente sejam tratadas com prioridade pelas autoridades policiais.
Posicionamento da FAB
A reportagem entrou em contato com a Força Aérea Brasileira (FAB) para solicitar posicionamento sobre a ocorrência envolvendo o coronel aviador da reserva e questionar se haverá alguma manifestação ou medida administrativa relacionada ao caso, mas aguarda retorno.
Militares da reserva, embora não estejam em atividade, continuam subordinados às normas disciplinares das Forças Armadas e podem responder a processos administrativos caso a conduta seja considerada incompatível com os valores institucionais.
Desdobramentos
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve apurar as circunstâncias exatas do disparo, a dinâmica da agressão e as responsabilidades de cada envolvido. A perícia técnica no local deve auxiliar na reconstituição dos fatos.






