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Campo Grande, 04 de outubro de 2026

Sombra Lunar: viagem no tempo repaginada

  • 7 de outubro, 2020
  • Na Poltrona do Cinema com Pedroka
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Como um cordeiro seguindo um caminho estridentemente para o matadouro, o thriller da Netflix Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon) é uma vida implorando para ser vivida. É um filme tão estranho e pesado que é impossível terminar de assistir sem exibir algum tipo de reação visceral extrema: aborrecimento, perplexidade, choque ou incredulidade e, imagino que o diretor Jim Mickle reagiu com empatia por alguns personagens. Enquanto pensava nisso, eu cocei minha cabeça e também me encontrei estranhamente encantado com essa loucura descarada – um filme que mira as estrelas com sucesso.

A primeira cena se passa em 2024, numa breve provocação de um futuro repleto de anarquia e janelas de escritórios quebradas, nos mostrando uma rua cheia de caos evidente. Somos então levados de volta a 1988 para a investigação de uma série bizarra de mortes difíceis de explicar, onde cada vítima sangra repentinamente durante seus dias de trabalho, sem nenhum suspeito à vista. Com ambições de se tornar um detetive, o oficial Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) se infiltra na investigação, e logo encontra pistas sobre uma jovem assassina que foge da sua captura com facilidade.

Dizer muito mais seria, na minha opinião, um spoiler. Em seguida, o filme começa a fazer o uso total de um salto no tempo, investindo numa indefinibilidade que muda o estilo de um suspense policial para a ficção científica, recheada por uma parábola social. Daí tudo fica imprevisível, porém melhor de muitas maneiras e ainda esmagadoramente previsível em outras, mas abraça clichês enquanto traça um caminho incomum, onde o policial obstinadamente obsessivo esquece seus deveres como pai e foca sua existência na busca por respostas. Vira um cara visivelmente sério mas, frustrantemente tímido às vezes, especialmente perto do final.

Uma das críticas mais comuns hoje em dia é que muitos filmes originais da Netflix são repletos de uma monotonia esmagadora, cada um parecendo tão barato e anonimamente montado quanto o outro. Mas aqui a diferença é notável. Além de ser atrativo, há nesse longa uma estética clara e nítida, especialmente no primeiro ato atmosférico do set passados nos anos 80, e o diretor trabalhou duro para fornecer a melhor ambientação. Parece um filme real com um estilo distinto e uma série de sequências de ação divertidas, coreografadas com cuidado.

Sombra Lunar é uma obsessão adorável – se é que isso existe. Suas ambições são fáceis de criticar, mas difíceis de não admirar, é um filme maluco com grandes ideias em mente.

5 pipocas!

Em cartaz na Netflix.

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