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Campo Grande, 21 de agosto de 2026

Prejuízos: Onda de frio leva à morte de 83 bovinos em MS

  • 21 de maio, 2026
  • Economia, Mercado Pecuário
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Produtores de cinco propriedades rurais comunicaram perdas à Iagro.

Até dia 19 de maio, o Iagro recebeu registro de morte de mais de 70 cabeças de gado em MS, em razão das baixas temperaturas. (Foto: Imagem ilustrativa).

Cinco propriedades rurais do sul de Mato Grosso do Sul informaram à Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal), até esta terça-feira (19/05), a morte de bovinos em decorrência das condições climáticas adversas registradas nos dois últimos fins de semana.

Quatro dessas propriedades estão situadas na região de Nova Andradina, a 298 quilômetros de Campo Grande, onde foram contabilizadas 74 mortes. O quinto caso ocorreu em uma fazenda no município de Angélica, a 276 quilômetros da Capital, com a perda de outros nove animais.

Antes mesmo da chegada da primeira frente fria ao Estado, em 8 de maio, a Iagro já havia alertado produtores sobre o risco de mortalidade por hipotermia. A orientação visava estimular medidas preventivas, especialmente em áreas onde os bovinos permanecem a céu aberto.

Condições climáticas e impactos

A combinação de baixas temperaturas, chuva e ventos intensos por períodos prolongados impõe desafios significativos aos rebanhos. De acordo com a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), o frio afeta diretamente as pastagens e compromete o desempenho dos animais.

Em situações de geada, por exemplo, gramíneas tropicais como as braquiárias sofrem danos severos devido à morte do tecido foliar, reduzindo a oferta e a qualidade da forragem. Com menos alimento disponível, os bovinos perdem escore corporal e apresentam queda de produtividade, sobretudo em propriedades sem suplementação adequada.

Além disso, o frio intenso aumenta o estresse térmico, reduz a imunidade e favorece o surgimento de doenças, principalmente respiratórias. Bezerros recém-nascidos, vacas prenhes, animais idosos e aqueles submetidos recentemente a manejos como desmama e transporte exigem maior atenção.

O cenário se agrava durante o inverno, quando há redução natural da produção de forragem no Centro-Oeste. As temperaturas mais baixas, o menor período de luz solar e a diminuição das chuvas inibem o crescimento das pastagens e limitam a disponibilidade de alimento.

Medidas de prevenção

Nos anos de 2023 e 2024, a Iagro registrou diversas notificações de mortes por hipotermia, especialmente em bovinos. Já em 2025, não houve registros desse tipo. Para evitar novas perdas em 2026, a agência reforça recomendações aos produtores:

-Manter os animais em piquetes com capões de mata, que ofereçam proteção contra vento e frio.

-Utilizar áreas com barreiras naturais ou artificiais para reduzir a incidência de correntes de ar frio.

-Evitar pastagens próximas a corpos d’água.

-Acolher animais mais vulneráveis em locais próximos para facilitar o manejo.

-Garantir alimentação suplementar com forragens, volumosos ou concentrados, compensando a queda na oferta de pasto.

Notificação obrigatória

As mortes de bovinos devem ser comunicadas imediatamente à Iagro. O serviço veterinário oficial realiza a inspeção e a baixa do estoque; quando a visita não for possível, o produtor pode apresentar laudo veterinário particular.

Também é fundamental a retirada rápida das carcaças para prevenir doenças como o botulismo. O contato com a agência pode ser feito pelo WhatsApp (67) 99961-9205.

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