Bolsa brasileira mantém recuperação nesta quinta-feira, com investidores atentos aos juros, aos balanços e aos desdobramentos das eleições nos Estados Unidos.

O mercado financeiro brasileiro operava em recuperação nesta quinta-feira (05/11), após o Banco Central interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros. Por volta das 11h45, no horário de Brasília, o Ibovespa avançava 0,72%, aos 168.774 pontos, enquanto o dólar comercial era cotado a R$ 5,43, conforme os dados fornecidos para esta atualização.
O movimento da bolsa dava continuidade à recuperação da véspera, quando o principal índice da B3 encerrou o pregão em alta de 1,23%, aos 167.563,47 pontos. O ambiente externo mais favorável ajudou os ativos brasileiros, apesar da forte queda das ações da Petrobras naquela sessão.
Pausa nos cortes da Selic concentra as atenções
No cenário doméstico, os investidores avaliavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira (4), de manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas da taxa básica.
O comunicado do Banco Central passou a orientar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária. A manutenção dos juros ocorreu em um ambiente de maior incerteza, expectativas de inflação mais elevadas e sinais de desaceleração da atividade econômica. Além da decisão do Copom, a divulgação de balanços corporativos influenciava os negócios nesta quinta-feira.
Resultado eleitoral nos EUA muda a avaliação dos investidores
No exterior, os mercados continuavam a repercutir a vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos. O partido conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, ampliando a capacidade da oposição de dificultar a aprovação de propostas do presidente Donald Trump.
A nova composição do Congresso levou investidores a reavaliar as perspectivas para gastos públicos, impostos e regulação. Embora o resultado tenha favorecido o apetite por risco na sessão anterior, também trouxe a possibilidade de impasses entre o Executivo e o Legislativo, mantendo a cautela sobre os efeitos econômicos da mudança política.
Os dados do mercado de trabalho americano também permaneciam no radar. Divulgado na quarta-feira, o relatório ADP apontou a criação de 86 mil vagas no setor privado em outubro, acima das 69 mil esperadas. O indicador antecede o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira.
Petrobras ensaia reação depois de forte queda
O petróleo foi um dos principais canais de transmissão do resultado eleitoral para os mercados. Na quarta-feira, a commodity sofreu uma queda acentuada, diante de apostas de que a mudança no equilíbrio político americano poderia favorecer uma redução das tensões envolvendo o Irã. O movimento pressionou as petroleiras, mas também trouxe alívio às preocupações com os preços da energia.
Na B3, as ações ordinárias da Petrobras recuaram 7,64% e as preferenciais perderam 7,08% naquele pregão, limitando a recuperação do Ibovespa. Já nesta quinta-feira, os papéis preferenciais ensaiavam uma reação: por volta das 10h50, subiam 1,1%, acompanhando a recuperação das cotações internacionais do petróleo.
A continuidade dos ganhos da bolsa brasileira dependia, assim, da combinação entre o desempenho dos mercados externos, a reação aos balanços e a interpretação dos investidores sobre o espaço para novos cortes de juros no Brasil.









