Adriane Lopes afirma que se atender a população e reduzir IPTU a cidade será prejudicada.

É inacreditável! Absurdo! Apesar da generalizada revolta em toda Campo Grande (MS), a prefeita Adriane Lopes (PP) não cedeu aos apelos da população e manteve os critérios escorchantes que fizeram do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) um cruel e extorsivo mecanismo de arrecadação.
Não satisfeita, afagou os munícipes com uma das mãos, ao prorrogar o pagamento até 12 de fevereiro e prorrogar o vencimento da primeira parcela sem juros até 10 de dezembro, e os esbofeteou com a outra, ao conservar o abatimento de 10% para quem pagar a vista, quando o desconto vigente há décadas era de 20%.
Para conservar este apertado torniquete no pescoço das economias domésticas, a prefeita ainda fez uma chantagem nada sutil aos munícipes, declarando, ao vivo e em cores, que os contribuintes querem prejudicar a cidade ao exigir que ela anule o decreto em vigor e institua outro, com a antiga margem de desconto (20%).
Entrevistada quinta-feira (08/01), pela TV Morena, Adriane Lopes disse que a troca de decretos consumiria muito tempo até para relançar os carnês, causando prejuízos à cidade.
A chantagem está fragilmente implícita, fácil de ser constatada. Adriane Lopes fez esta declaração para justificar o seu argumento: “Esse processo {a mudança de decreto} levaria cerca de 60 dias, paralisaria uma parte significativa da arrecadação e prejudicaria o município de forma drástica”.
Justificativa esta que não fundamenta então a falta de planejamento das secretarias de finanças e do próprio setor de planejamento em designar uma revisão e recadastramento de carnês (teve um ano inteiro para isso), para que não ocorressem tantos casos discrepantes e injustos, como estão ocorrendo. O município não pode ter prejuízo, mas o consumidor (munícipe) pode ser prejudicado sem nenhum constrangimento, ficando subjulgado aos abusos do Executivo.

Apoio irônico e advogado de defesa particular
Adriane foi endossada pelo mais próximo e influente aliado: seu marido, o deputado estadual e “Primeiro Ministro” Lídio Lopes, pré-candidato à reeleição.
“Quando tem qualquer reajuste, já atacam a gestão…”, destacou o esposo de Adriane que também é advogado por formação, com intuito
irônico, ao defender as decisões da Prefeita e minimizar as reclamações da sociedade.
Lídio disse também que a cobrança é legal e justa, acrescentando que a Prefeitura está precisando de dinheiro para investir na Capital.
Em resumo, Adriane Lopes amparada por seu advogado de defesa particular, não aliviou e ainda avisou, vitoriosa, que não vai aliviar.
O desconto de 20% seria uma decisão inteligente e de elevada sensibilidade, que não afetaria o potencial arrecadador.
Porém, na faixa dos 10%, está criando uma grande corrida dos contribuintes ao Judiciário e, com certeza, sangrando as economias dos mais de 400 mil campo-grandenses que pagam IPTU.






