“Incerta” do Tribunal de Contas flagrou grave irregularidade na usina que produz material aplicado nas ruas.

Enfim, pode estar vindo à tona uma das causas das fracassadas operações tapa-buracos realizadas – e nunca terminadas – pela Prefeitura de Campo Grande. O material utilizado no remendo e na vedação dos pavimentos danificados da cidade sai de uma usina que não dispõe dos equipamentos utilizados na pesagem dos caminhões que transportam o produto.

Esta foi uma das primeiras constatações apuradas na última quarta-feira, 04, durante uma vistoria surpresa realizada na usina de asfalto do Consórcio Central por uma equipe do Tribunal de Contas (TCE-MS), chefiada pelo conselheiro Osmar Jeronymo. O flagrante aconteceu após ser levada em conta a série de reclamações do povo contra a baixíssima qualidade do material despejado nas ruas pelas máquinas das operações tapa-buracos.
Jeronymo identificou falhas graves e injustificadas no controle de pesagem dos caminhões. Sem esse controle é praticamente impossível aferir o volume do produto transportado, informação imprescindível para avaliar se o asfalto é de boa qualidade ou não. Em várias ruas onde foi feito o serviço de tapa-buracos o pavimento novo não dura nem mesmo tempo razoável e já esfarinha, tornando inócuo o reparo e impondo nova intervenção, acumulando desperdício de verbas públicas.

Amostras
O conselheiro e os auditores verificaram que a usina não dispõe de balança própria para a pesagem e recorre a uma empresa vizinha provida do equipamento. Foram coletadas várias amostras das matérias-primas e do asfalto pronto para análise em laboratório. Os testes vão verificar se o material atende aos padrões de qualidade exigidos.
Os auditores também vão verificar se a usina consegue produzir asfalto suficiente para atender à demanda diária dos serviços contratados pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP). A fiscalização também será realizada nas ruas, onde os auditores vão acompanhar a preparação dos buracos, a aplicação do asfalto e a compactação do material, etapa que ajuda a garantir a resistência dos reparos.

Segundo o conselheiro Osmar Jeronymo, a fiscalização busca identificar problemas que possam comprometer a qualidade dos reparos.
Os auditores vão elaborar um relatório com os resultados da fiscalização. Em nota, a prefeitura informou que o contrato com o Consórcio Central não exige que a empresa tenha uma balança própria para pesar o asfalto fornecido.
De acordo com a prefeitura, o contrato exige só os comprovantes de pesagem emitidos por balanças aferidas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). A prefeitura também informou que confere os comprovantes para verificar a quantidade de asfalto entregue. Os pagamentos são feitos conforme o peso do material fornecido.









