Moradores das Moreninhas vaiam a prefeita, que não se livrou da suspeita de compra de votos. Prefeita é hostilizada por moradores durante evento e chega a interromper fala após gritos de “fora”.

Moradores das Moreninhas comemoraram os 44 anos de um dos maiores e mais antigos conjuntos habitacionais de Campo Grande com sensações diferentes. Além das efusivas saudações e aplausos pela data, o público que foi à praça sapecou sonora vaia quando a prefeita Adriane Lopes (PP) foi fazer uso da palavra.
Uns gritavam “fora”!, outros bradavam várias palavras de protesto. A prefeita, desconfortável, tentou inicialmente fazer uma introdução das mais simpáticas e calorosas, mas não conseguiu. Chegou a reclamar, em tom lamentoso, e até errou o motivo e o lugar da comemoração: “Poxa, gente, aniversário de Campo Grande, opa, das Moreninhas”, registrou o blogueiro Bruno Ortiz.
Esta não foi a primeira vez que Adriane Lopes se viu contemplada por vaias desde que se reelegeu. Em junho deste ano, durante a abertura do tradicional Arraiá de Santo Antônio na Praça do Rádio Clube, estava no palco e ia discursar quando passou a ser vaiada. Ensaiou uma reação de amistosidade acenando os braços, porém não conseguiu silenciar a manifestação.
Clima de insatisfação
A gestão municipal vem enfrentando forte desgaste entre moradores da Capital. Em novembro, dois protestos reuniram dezenas de pessoas na região central, especialmente no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, onde motoristas manifestaram apoio buzinando.
No ato mais recente, em 29 de novembro, houve conflitos entre manifestantes e agentes da Guarda Civil Metropolitana, incluindo relatos de intimidação e agressões. Duas prisões consideradas controversas também marcaram o episódio.
A sequência de protestos e a recepção hostil na festa das Moreninhas evidenciam o crescente descontentamento popular com a atual administração da Capital.
PF na pista
Não bastassem as vaias, outro dissabor chegou para Adriane Lopes. A Polícia Federal retomou a investigação contra ela e a vice-prefeita, Camilla Nascimento de Oliveira (Avante), acusadas da compra de votos nas eleições de 2024. A denúncia partiu do Ministério Público Eleitoral, do Tribunal Regional Eleitoral. Foi aberta uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), acatando uma ação movida por dois partidos (PDT e Democracia Cristã).
Embora reforçada por escutas telefônicas e comprovantes de PIX entre os documentos, a ação não prosperou nas instâncias regionais em que foi julgada. Após ser rejeitado no TRE, o processo foi submetido ao Tribunal Superior Eleitoral. Entretanto, correm as investigações agora retomadas pela PF. O objetivo é apurar se houve captação ilícita e abuso de poder econômico, que pode levar à cassação da chapa e a convocação de pleito suplementar pela primeira vez na história de Campo Grande.
Quem conduz o inquérito é o delegado Marcelo Alexandrino de Oliveira, da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional. A avaliação é que agora a investigação da PF coloca o poder público – e não os partidos – como protagonistas da investigação contra Adriane e Camilla.
O recurso do MPE ao TSE afirma que “restou demonstrada a existência de captação ilícita de sufrágio (compra de votos), em favor da campanha das candidatas Adriane Barbosa Nogueira Lopes e Camila Nascimento de Oliveira”.






