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Campo Grande, 14 de outubro de 2026

Pai que confessou matar filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade

  • 14 de outubro, 2026
  • Polícia
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Defesa de Davi Piazza Pinto solicitou perícia para verificar se ele tinha plena capacidade de entendimento no momento do crime; MPPB tem 10 dias para se manifestar.

Pai que matou filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade mental na Justiça

Davi Piazza Pinto, de 38 anos, réu pela morte do próprio filho, Arthur Davi Velásquez Piazza, de 11 anos, pediu à Justiça da Paraíba uma avaliação de insanidade mental. A criança, que era autista não verbal e tinha deficiência visual, foi morta pelo pai em novembro de 2025, em João Pessoa.

A 2ª Vara Metropolitana do Tribunal do Júri encaminhou o pedido ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), que deve se manifestar em até 10 dias. Depois do parecer, o caso retornará à análise da juíza Francilucy Rejane de Sousa Mota Brandão. Até a última atualização, o Ministério Público não havia se posicionado.

O que é pedido pela defesa

Se autorizado, o exame será feito por uma junta médica e deverá avaliar se o réu tinha, no momento do crime, capacidade de compreender o caráter ilícito do ato e de se determinar conforme esse entendimento. O pedido da defesa não significa que Davi já tenha sido declarado inimputável.

Davi permanece preso preventivamente. Ele foi indiciado em novembro de 2025 por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A qualificadora do homicídio se baseou no motivo torpe, no emprego de asfixia e no fato de a vítima ser menor de 14 anos.

Motivação apontada pela polícia

Em depoimento à Polícia Civil, Davi afirmou que estava endividado e que matou o filho para não continuar pagando a pensão alimentícia, estimada em cerca de R$ 1,8 mil por mês. Segundo o delegado Bruno Germano, o pai teria dito que queria “se livrar da dívida”.

A investigação concluiu que o crime foi premeditado e que Davi agiu sozinho. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Arthur morreu por asfixia por sufocação.

Como foi o crime

Davi viajou de Florianópolis, em Santa Catarina, para João Pessoa com o pretexto de reencontrar e cuidar do filho. Ele recebeu o menino da mãe, Aline Lorena, e o levou a um apartamento alugado na capital paraibana, onde cometeu o assassinato.

Após a morte, o pai teria enrolado o corpo em lençóis e usado carros de aplicativo para se deslocar até o bairro Colinas do Sul. Lá, escondeu o corpo de Arthur em um saco plástico preto e o enterrou em uma cova rasa, nas imediações de uma antiga fábrica abandonada.

Imagens de câmeras de segurança registraram Davi saindo do apartamento carregando uma trouxa de tecido. Dois motoristas de aplicativo que fizeram as corridas foram ouvidos durante o inquérito.

Confissão e prisão

Depois do crime, Davi voltou para Florianópolis. Ele contou à própria mãe que havia matado o filho e telefonou para a mãe da criança, informando o assassinato e o local onde havia escondido o corpo. Em seguida, apresentou-se espontaneamente à polícia e foi preso.

Arthur Davi Velásquez Piazza, de 11 anos, autista e limitação visual visual foi assassinado pelo próprio pai, que não queria arcar com a pensão.

História da vítima

Arthur nasceu prematuro, com cerca de cinco meses de gestação e 800 gramas. A criança tinha apenas 5% da visão e dependia de cuidados especiais da família. Ele viveu os primeiros anos de vida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, antes de morar com a mãe em João Pessoa.

A mãe relatou que havia combinado com Davi uma convivência maior entre pai e filho e que deixou preparados alimentos, roupas e itens de cuidado necessários para o período em que o menino ficaria com o pai. Ela disse que não imaginava o que aconteceria e que o caso agora cabe à Justiça.

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