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Campo Grande, 09 de outubro de 2026

Professores temporários de MS anunciam criação de sindicato exclusivo

  • 7 de outubro, 2025
  • Educação, Geral
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Movimento nasce de insatisfação com promessas não cumpridas e busca voz própria para cerca de 70% dos docentes da rede estadual que atuam sem vínculo efetivo.

(Arquivo: Professor em sala de aula na REME)

Frente à crescente insatisfação com promessas não cumpridas e à falta de representatividade em entidades já existentes, professores temporários da rede pública de ensino de Mato Grosso do Sul decidiram fundar um sindicato próprio. O novo órgão, batizado de SINPROTEMP-MS (Sindicato dos Professores Temporários de Mato Grosso do Sul), pretende atuar exclusivamente na defesa dos direitos da categoria, que hoje representa a maioria dos docentes em atividade no Estado.

O edital de convocação para a Assembleia Geral de Fundação do sindicato foi publicado nesta segunda-feira (6) pela Comissão Pró-Fundação do SINPROTEMP-MS. A reunião acontecerá no dia 26 de outubro, a partir das 7h30, de forma virtual, pela plataforma Google Meet.

Na pauta, estão a aprovação do Estatuto Social, a eleição da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal, além da definição da taxa de filiação e da contribuição mensal dos filiados.

Segundo o presidente da Comissão Pró-Fundação, professor Luiggi de Barros Cestari, o movimento nasceu “de forma orgânica, a partir do sofrimento e da frustração da categoria”, motivado principalmente pela não concretização da promessa feita pelo governador Eduardo Riedel de equiparar o salário dos professores temporários ao dos efetivos da rede estadual.

“Surgiu de forma orgânica, a partir do sofrimento e da frustração da categoria. O movimento ganhou força por conta de promessas não cumpridas, especialmente a da equiparação salarial entre temporários e efetivos — promessa que, até o momento, não se concretizou”, afirmou Cestari.

Atualmente, os professores temporários de Mato Grosso do Sul recebem R$ 25,60 por hora trabalhada, enquanto os efetivos ganham cerca de R$ 52,40 por hora. A diferença de mais de 100% representa uma das maiores disparidades salariais do país.

De acordo com levantamento do Todos Pela Educação (2024), apenas 30% dos professores da rede estadual são concursados, e o número de efetivos vem caindo nos últimos dez anos — enquanto o de temporários aumentou 13%.

Cestari explica que o novo sindicato não pretende fazer oposição à ACP (Associação Campo-grandense de Professores) nem à FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), mas garantir espaço de fala e participação política a um grupo historicamente excluído.

“A criação do novo sindicato não é uma questão de separação, mas de representatividade. Os professores temporários não se sentem incluídos nas decisões das entidades existentes. Queremos uma voz própria e ativa”, pontuou.

A mobilização dos professores temporários vem crescendo nas últimas semanas. No sábado (27/09), cerca de 150 educadores protestaram em frente à FETEMS, em Campo Grande, contra o Decreto nº 16.389, que retirava benefícios ligados à qualificação de docentes da Reme (Rede Municipal de Ensino). Após a manifestação, a Prefeitura da Capital republicou o edital do processo seletivo incluindo novamente a remuneração por titulação de mestrado e doutorado — uma das principais reivindicações da categoria.

Com a criação do SINPROTEMP-MS, os docentes esperam consolidar uma estrutura independente para negociar diretamente com o poder público e garantir condições mais justas de trabalho, reconhecimento profissional e valorização salarial.

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