Medidas emergenciais devem incluir crédito do BNDES e serão anunciadas até quarta-feira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e Jamieson Greer, representante comercial americano, que afirmou ser “improvável” que acordos com países sejam fechados “nos próximos dias”.
A um dia do início da vigência do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem serem muito remotas as chances de um alívio na taxação de 50% anunciada a importações do país e correm para fechar os últimos detalhes do pacote de socorro a empresas afetadas. A intenção do Palácio do Planalto é anunciar o plano de mitigação até quarta-feira, dia 6, a data marcada para as tarifas entrarem em vigor.
A avaliação é que o governo não tem espaço de manobra para tentar reverter a decisão do presidente americano, Donald Trump. O prazo é exíguo e, apesar de algumas frentes de diálogo terem sido abertas nos últimos dias, a negociação em si não deslanchou.
A percepção de que as negociações estão travadas foi reforçada no domingo pelo representante de comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer. Ele indicou que as novas tarifas globais determinadas por Trump na semana passada são “praticamente definitivas” e é “improvável” que acordos com países sejam fechados “nos próximos dias”.
Em entrevista exibida domingo pelo canal de televisão CBS, ele disse estar descartada uma renegociação imediata, inclusive em relação ao Brasil. Greer é justamente a autoridade encarregada de costurar os acordos bilaterais dos EUA em meio ao tarifaço.
‘Limite de briga com governo americano’
Lula aproveitou evento do Partido dos Trabalhadores neste domingo para reforçar a disposição do Brasil a abrir negociações, mas criticou a postura de Trump de condicionar o tarifaço a questões políticas e disse haver “um limite de briga com o governo americano”.
— Queremos negociar igualdade de condições. Eles são um país muito grande, o mais bélico, com mais tecnologia, a maior economia. Tudo isso é muito importante. Mas queremos ser respeitados pelo nosso tamanho. Temos interesses econômicos, estratégicos, queremos crescer e não somos uma republiqueta. Querer colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável — disse o presidente no encontro nacional do PT, em Brasília.
Mais commodities: Tarifaço deve fazer exportações brasileiras ficarem ainda mais concentradas em produtos primários
Como Trump condicionou a retirada da sanção comercial a um recuo do Supremo Tribunal Federal (STF) na ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o Brasil não tem como oferecer alternativas a não ser aguardar o diálogo na seara comercial, diz um integrante do governo. Continua fora de cogitação misturar as duas questões.
A equipe econômica do governo Lula estuda uma alternativa para responder ao tarifaço do presidente americano Donald Trump, em substituição a taxação de produtos importados dos EUA. Entre as opções avaliadas está o endurecimento nas regras opera entrada de mercadorias americanas no país. Seria o fim da chamado “licenciamento automático” das importações.
Hoje, a lista de produtos com licenciamento automático ou facilitado inclui desde frutas, carnes e medicamentos, até produtos químicos e microchips para indústrias. As mercadorias fazem parte do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), uma plataforma do governo que integra todas as autorizações necessárias para alguns produtos entrar no país, como anuência do Ibama, Anvisa e Receita Federal.
Se um produto já entra de forma recorrente no país, enviado por um mesmo fabricante, que já segue as regras tributárias e sanitárias do Brasil, por exemplo, não é necessário que toda remessa passe pelas avaliações de autoridades brasileiras.
Os produtos passam a entrar de forma “automática”. O fim desse procedimento poderia atrasar a entrada de produtos americanos no país, sem que haja um aumento de taxa sobre eles. A saída é considerada uma resposta menos agressiva aos americanos, ao mesmo tempo em que mostra o incômodo brasileiro com o tarifaço.
Equipe econômica estuda regras para fim de autorização automática a impostações dos EUA
A resposta externa seria uma das duas frentes do plano brasileiro de reação a Donald Trump. O fim do licenciamento automático seria avaliado no médio prazo e com cautela, de acordo com integrantes da equipe econômica que trabalham diretamente na elaboração das respostas aos americanos. No curto prazo, seria aplicado o plano de socorro aos exportadores brasileiros, como já mencionado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Comércio, Geraldo Alckmin. A ajuda aos empresários do país deve ser a reação mais imediata do governo brasileiro.
Para a ajuda aos produtores nacionais, o governo estuda linhas de financiamento com baixo impacto fiscal. Ou seja, sem precisar de recursos do Tesouro. A ideia seria trabalhar, por exemplo, com fundos já disponíveis para empréstimo no BNDES, Caixa e Banco do Brasil.
O auxílio também não deve ocorrer de forma geral e linear, para todos todos os exportadores, mas sim para os empresários que estejam na lista dos mais prejudicados, que dependem quase que exclusivamente das exportações aos EUA.
Mesmo que os produtores de café sejam impactados, por exemplo, a avaliação do governo é de que eles poderiam reposicionar facilmente as vendas do produto para outros países.
Assim como a Petrobras, que conseguiria direcionar a venda de petróleo de forma rápida para outras nações. Esse redirecionamento de produção não ocorreria da mesma forma com produtos como os pescados ou derivados de madeira que seguem regras sanitárias específicas dos EUA.
Com informações dos Portais O Globo e Jovem Pan News






