Investidores aguardam desdobramentos das novas tarifas impostas por Trump e possíveis retaliações internacionais. Dólar comercial fecha a R$5,99, juros sobem e bolsas caem.
Terça-feira dólar fechou a R$5,99.O dólar atingiu R$ 5,99, refletindo a maior cotação frente ao euro em 20 anos e o nível mais alto em relação à libra esterlina desde 1985. As bolsas de Nova York enfrentaram alta volatilidade, encerrando o dia em queda devido às novas tensões comerciais.
As bolsas americanas recuaram após o anúncio de que os EUA imporão tarifas adicionais às importações chinesas, totalizando 104% sobre produtos do país asiático. O Nasdaq caiu 2,15%, fechando a 15.267 pontos; o S&P 500 recuou 1,57%, a 4.982 pontos; e o Dow Jones diminuiu 0,84%, encerrando a 37.645 pontos.
“Até que os investidores redefinam as expectativas ou até que as regras e objetivos das tarifas sejam mais bem compreendidos, os mercados continuarão com essas oscilações selvagens entre a esperança e o medo”, afirmou Que Nguyen, da Research Affiliates LLC.
Juros Futuros em Alta
Os juros futuros fecharam em alta ao longo de toda a curva, acompanhando o desempenho dos rendimentos dos títulos americanos.
Ibovespa em queda com novas tarifas dos EUA contra a China
O Ibovespa encerrou em queda de 1,32%, a 123.932 pontos, em um dia de volatilidade global. O índice chegou a subir 1,64% pela manhã, mas reverteu o movimento após a confirmação das novas tarifas pela Casa Branca.
Leandro Ormond, analista da Aware Investments, explicou que a intensificação das tensões comerciais derrubou as cotações de commodities, pressionando ações de peso como Vale e Petrobras. A Vale ON (VALE3) caiu 5,48%, fechando a R$ 49,20, menor cotação desde novembro de 2021. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 3,56%, a R$ 32, refletindo o forte declínio do petróleo.

Petróleo no menor nível desde 2021
As cotações do petróleo Brent e WTI encerraram no patamar mais baixo em quatro anos, diante dos temores de que a guerra comercial leve a uma recessão global. O contrato futuro do Brent para junho caiu 2,16%, a US$ 62,82 o barril, enquanto o WTI para maio recuou 1,85%, a US$ 59,58.
O presidente dos EUA, Donald Trump, planeja implementar tarifas de 104% sobre muitos produtos chineses, marcando uma escalada significativa nas ações comerciais contra a China, uma das maiores importadoras de petróleo do mundo.
Dólar em alta com escalada na guerra comercial
O dólar comercial encerrou em forte alta, refletindo a aversão ao risco global. A moeda subiu 1,47%, a R$ 5,997, maior valor desde 21 de janeiro. Na máxima do dia, a divisa atingiu R$ 6.
André Valério, economista-sênior do Banco Inter, destacou que o real sofreu devido à dependência da economia brasileira da China, principal afetada pelas tarifas. O dólar se fortalece frente a moedas emergentes diante das incertezas, por ser considerado um investimento seguro.
Perspectivas para o Real e o Ibovespa
O Ibovespa inverteu o sinal no início da tarde, diante da aversão ao risco observada nos mercados globais. O mau humor se intensificou após Trump afirmar que aumentará as tarifas às importações chinesas para 104% a partir desta quarta-feira (09/04).
A Vale (VALE3) foi uma das principais perdedoras do dia, com recuo de 4,46%, a R$ 49,73, acompanhando a queda de 3,15% do minério de ferro na Bolsa de Dalian. As ações da Petrobras também foram impactadas pela performance do petróleo.
Índice VIX em alta
O índice VIX, conhecido como “índice do medo” e que mede a volatilidade dos mercados, subiu a 48,3 pontos, alta de 2,83%, após o anúncio das tarifas impostas aos produtos chineses.
Juros futuros disparam
Em nova rodada de aversão ao risco local, os juros futuros subiram cerca de 15 pontos nos prazos médios da curva de juros, acompanhando a valorização do câmbio, que chegou a ultrapassar R$ 6, e o aumento dos rendimentos das Treasuries, os títulos americanos.
Petróleo reverte sinal e cai
O petróleo, que operava em alta na manhã de terça-feira(08/04), voltou a cair nas negociações futuras. O WTI para maio cedeu 1,3%, aos US$ 59,98, enquanto o Brent recuou 1,7%, aos US$ 63,09.
A cotação futura do óleo refletiu a tarifação de 104% anunciada por Trump aos produtos chineses, aumentando a perspectiva de desaceleração global diante das novas taxas.
As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 1,66%, enquanto a Brava (BRAV3) recuou 1,96%. A Vale (VALE3) também registrou queda de 4,36%, rompendo o piso de R$ 50, refletindo a desvalorização de 3,15% do minério no principal mercado da empresa, a China.








