Especialistas apontam que medida não deve reduzir significativamente o custo da carne bovina no mercado interno. Portanto, nem a picanha, nem o filé e nem a carne de segunda vão reduzir o preço em até 10,8% para o consumidor final.

O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira a noite (06/03), a eliminação das tarifas de importação para nove itens alimentícios essenciais, incluindo carne bovina, café, açúcar e sardinhas, com o objetivo de conter a inflação e reduzir os preços ao consumidor.
No entanto, especialistas expressam ceticismo quanto à eficácia dessa medida, especialmente no que se refere à carne bovina. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, com preços internos mais competitivos do que os praticados internacionalmente. Assim, importar carne de outros países seria economicamente inviável, não resultando em redução significativa dos preços para os consumidores brasileiros.
Além disso, fatores como condições climáticas adversas têm afetado a produção doméstica, contribuindo para o aumento dos preços dos alimentos. Embora a isenção das tarifas de importação seja uma tentativa de mitigar a inflação alimentar, sua eficácia pode ser limitada devido à predominância da produção nacional e às variáveis externas que influenciam os custos.
Em resumo, a isenção do imposto de importação sobre a carne bovina, embora bem-intencionada, provavelmente terá um impacto limitado na redução dos preços ao consumidor, devido à competitividade da produção nacional e aos custos associados à importação.
De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrisul), Guilherme Bumlai, na prática o efeito também será igual a zero. “Somos exportadores desses produtos que tiveram a alíquota de importação zerada e nossos preços são muito mais competitivos. A carne por exemplo, nosso valor é menor do que o valor de outros países, então importar carne é mais caro do que a produzida pelo Brasil. Se fossem produtos que importássemos com taxa e fosse retirada poderia ter algum reflexo, mas o mercado externo dificilmente consegue concorrer com os preços dos produtos vendidos no mercado interno”, explicou.
A medida, de acordo com a nota enviada à imprensa, busca reduzir os preços para os consumidores sem prejudicar produtores nacionais. Os itens com tributos zerados incluem azeite (antes 9%), milho (7,2%), óleo de girassol (até 9%), sardinha (32%), biscoitos (16,2%), macarrão (14,4%), café (9%), carnes (até 10,8%) e açúcar (até 14%).
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), informou que a medida ainda está sendo avaliada pelo departamento técnico. “Por conta disso, ainda não é possível fazer uma análise real dos impactos dessa medida”, disse em nota.
Inflação
Inflação alimentar em Campo Grande: Análise de 2024 e perspectivas para 2025
Em 2024, Campo Grande registrou a maior inflação de alimentos entre as capitais brasileiras, com uma alta de 11,3%.
Principais Fatores que Influenciaram a Inflação em 2024:
Carnes: Houve um aumento significativo de 31,32% nos preços da carne bovina em Campo Grande, contribuindo expressivamente para a inflação alimentar.
Café Moído: Registrou uma alta de 39,6% no ano, a maior variação desde 2021.
Açúcar: Também apresentou aumentos expressivos, pressionando o índice de preços ao consumidor.
A Capital sul-mato-grossense tem enfrentado sucessivos recordes no preço da cesta básica, ficando entre as cinco primeiras com o custo mais elevado.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de Campo Grande registrou acúmulo de 5,06% no ano passado, em se tratando somente dos alimentos.