Confirmação de foco de gripe aviária na última sexta-feira (16/05) em granja comercial leva à suspensão de exportações por nove países e pode influenciar o preço no mercado interno de proteínas do Brasil.

O Brasil confirmou no último dia 16 de maio, o primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul. A detecção do vírus em ambiente industrial levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a suspender preventivamente as exportações de carne de aves e seus derivados para diversos países, atendendo aos requisitos sanitários internacionais.
Como resultado, nove destinos comerciais — China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, México, Chile, Uruguai, Argentina e Emirados Árabes Unidos — impuseram restrições às importações de produtos avícolas brasileiros. Essas medidas variam entre embargos totais e proibições regionais, dependendo da política sanitária de cada nação.
A China, principal destino das exportações brasileiras de frango, suspendeu as compras por 60 dias, afetando cerca de 14% das exportações anuais do setor. A União Europeia também interrompeu as importações, uma vez que suas normas exigem que os países exportadores estejam livres da doença.
O Japão adotou uma abordagem mais regional, suspendendo as importações de carne de frango da cidade de Montenegro e de aves vivas de todo o estado do Rio Grande do Sul. Em 2024, o país importou aproximadamente 429 mil toneladas de carne de frango do Brasil, representando cerca de 70% de suas importações totais do produto.
O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil ativou seu plano de contingência para conter o surto, incluindo o abate das aves afetadas, a interdição da granja e a intensificação da vigilância sanitária em um raio de 10 km ao redor do foco. As autoridades também notificaram organismos internacionais e parceiros comerciais sobre as medidas adotadas.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, respondendo por mais de 35% das exportações globais. A suspensão das importações por esses nove destinos pode reduzir as exportações brasileiras do setor em até 20%, segundo estimativas preliminares.

Além do impacto nas exportações, o mercado interno também sente os efeitos da crise sanitária. O receio de contaminação levou a uma queda no consumo de carne de frango, mesmo com as autoridades reforçando que o vírus não é transmitido por alimentos devidamente preparados. Essa redução na demanda pode provocar um aumento na procura por outras proteínas, como a carne bovina, pressionando os preços no mercado interno.
Até o momento, o Ministério da Agricultura confirmou 154 casos de gripe aviária em aves silvestres e de subsistência no país. As notificações em aves silvestres e/ou de subsistência não comprometem o status do Brasil como país livre de IAAP e não trazem restrições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros, conforme prevê a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Para os consumidores, as autoridades sanitárias recomendam cuidados básicos na manipulação e preparo de alimentos, como cozinhar bem as carnes e ovos, além de manter a higiene adequada das mãos e utensílios de cozinha. Essas medidas são eficazes para prevenir a transmissão de diversas doenças, incluindo a gripe aviária.
O Ministério da Agricultura continua monitorando a situação e adotando medidas para conter a disseminação do vírus, buscando também negociar com os países importadores a regionalização dos embargos, de forma a minimizar os impactos econômicos para o setor avícola brasileiro.








