Brasileiro eternizou em preto e branco o drama humano e a beleza da natureza; legado inclui obras marcantes e ações ambientais.

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado faleceu nesta sexta-feira (23/05), aos 81 anos, em Paris, onde residia. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização ambiental que fundou com sua esposa, Lélia Wanick Salgado. A causa da morte foi leucemia, decorrente de complicações da malária contraída em 2010 durante uma expedição na Indonésia.
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944, Salgado formou-se em Economia e iniciou sua carreira no Banco Mundial. Foi durante missões na África que se apaixonou pela fotografia, abandonando a economia para se dedicar ao fotojornalismo. Radicado em Paris desde os anos 1970, tornou-se um dos fotógrafos mais respeitados do mundo.

Sua obra é marcada por imagens em preto e branco que documentam as condições humanas e ambientais em mais de 120 países. Projetos como “Trabalhadores”, “Êxodos” e “Gênesis” são reconhecidos por retratar com sensibilidade temas como migração, trabalho e natureza. Seu último grande projeto, “Amazônia”, envolveu mais de 48 expedições para registrar a diversidade e fragilidade da floresta e seus povos indígenas.

Além da fotografia, Salgado dedicou-se à recuperação ambiental. Em 1998, fundou o Instituto Terra, que já restaurou mais de 2.000 hectares da Mata Atlântica no Brasil. Sua atuação lhe rendeu prêmios como o Príncipe de Astúrias das Artes e a Medalha do Centenário da Royal Photographic Society.
Sebastião Salgado deixa um legado de imagens que são testemunhos da dignidade humana e da urgência ambiental, influenciando gerações de fotógrafos e ativistas. É lembrado como um artista que usou a lente para dar voz aos invisíveis e promover a conscientização global.








