Cantora e compositora era conhecida pela voz rouca e letras intensas. Aos 75 anos Ângela lutava contra infecção pulmonar e vivia em situação de vulnerabilidade financeira.
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Morreu na manhã desta segunda-feira (08/09) no Rio de Janeiro a cantora, compositora e pianista Ângela Ro Ro, aos 75 anos. Internada desde junho no Hospital Silvestre, na Zona Sul da capital, ela enfrentava uma grave infecção pulmonar — contraída durante o tratamento — que evoluiu para uma parada cardíaca fatal.
A artista, cujo nome de batismo era Ângela Maria Diniz Gonsalves, completaria 76 anos em dezembro. Era considerada uma referência da Música Popular Brasileira, com uma voz rouca que se tornou sua marca inconfundível.

Trajetória marcante e repertório clássico
Ângela iniciou sua carreira nos anos 1970, período em que viveu na Inglaterra — chegou a cantar em pubs e participou do emblemático disco Transa, de Caetano Veloso, tocando gaita.
Seu disco de estreia, Ângela Ro Ro (1979), é reconhecido até hoje como um clássico da MPB e inclui seus grandes sucessos: “Amor, Meu Grande Amor”, “Gota de Sangue”, “Balada da Arrasada”, “Agito e Uso” e “Tola Foi Você”.
Na sequência, firmou-se como autora e intérprete sensível e intensa com álbuns como Só Nos Resta Viver (1980), Escândalo! (1981) — cujo título e “Came e Case” marcaram época —, e Simples Carinho (1982).
Ângela também era intérprete emocionante de blues, samba-canção e canções autorais como Fogueira (gravada por Maria Bethânia) e Demais (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira).
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Estilo autêntico e postura irreverente
Conhecida por seu humor ácido, ironia fina e franqueza, Ângela era uma artista que falava sobre o amor do ponto de vista feminino com intensidade e coragem. Ela chegou a recusar gravar “Malandragem” (Roberto Frejat/Cazuza), com a desculpa de desagrado pela letra, mesmo depois da canção se tornar icônica na voz de Cássia Eller.
Além de sua arte, ela foi uma das primeiras cantoras brasileiras a se declarar lésbica, inspirando muitos com sua autenticidade e presença.
Últimos anos: saúde frágil e apelo público
Nos últimos anos, Ângela Ro Ro enfrentou dificuldades de saúde e financeiras. Durante a pandemia, chegou a pedir ajuda nas redes sociais — relatou viver apenas com R$ 800 por mês provenientes de direitos autorais.
Internada na UTI desde junho, sofreu complicações que levaram à realização de traqueostomia e intubação. Durante o período, sua companheira de quatro anos, que preferiu permanecer em anonimato, esteve ao seu lado.

Comoção e homenagens
A morte de Ângela mobilizou artistas e admiradores. Zélia Duncan exaltou sua inteligência poética; Léo Jaime lembrou a alegria que ela transmitia; Vanessa da Mata elogiou sua compositora plena; Fafá de Belém recordou o encontro com a artista na década de 1970; Ana Maria Braga destacou sua voz imortal; e Zezé Motta e Nanda Costa expressaram a perda de uma artista geniosa e essencial.
O Ministério da Cultura lamentou profundamente a partida de “uma das grandes vozes da MPB que misturava blues, samba-canção e rock em canções intensas que marcaram época”.
Velório e enterro
O velório de Ângela Ro Ro será realizado nesta terça-feira (09/09). A cerimônia de despedida foi marcada para às 13h no Cemitério da Penitência, no Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, com o encerramento da solenidade previsto para às 16h.
Ao longo de quase cinco décadas de carreira, Ângela Ro Ro deixou um legado de autenticidade, poesia e liberdade artística. Sua música, carga emocional e coragem continuarão a ressoar nos corações de quem a ouviu — e a história permanece viva em cada nota e letra.








