Primeiro pregão depois do segundo turno deve ser marcado por alta do câmbio, queda das ações e atenção do mercado aos sinais fiscais do novo mandato.

O mercado financeiro brasileiro abriu esta segunda-feira (26/10) sob forte volatilidade, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. O dólar comercial saltou 8,65% na abertura, cotado a R$ 5,4248, ante o fechamento de R$ 4,9931 na sexta-feira (23).
O resultado eleitoral contrariou a aposta predominante dos investidores, que vinham precificando a vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o TSE, Lula obteve 51,79% dos votos válidos, com 64,256 milhões de votos, contra 48,21% e 59,826 milhões de votos para o adversário.
Dólar e câmbio
A alta da moeda americana foi imediata após a confirmação do resultado. No exterior, contratos futuros do real negociados em Chicago indicavam o dólar próximo de R$ 5,59 no pré-mercado, acima da cotação de R$ 5,009 registrada na sexta.
Analistas avaliam que o movimento reflete a reversão de posições assumidas na chamada “trade eleitoral”, quando parte do mercado apostava em uma vitória da oposição e em maior disciplina fiscal. A expectativa é de que o Banco Central possa atuar no câmbio, embora a extensão da depreciação do real dependa das primeiras sinalizações econômicas do novo governo.
Bolsa sob pressão
O Ibovespa futuro iniciou o pregão em queda acentuada, chegando a recuar cerca de 15% e acionar mecanismos de proteção da B3. O índice à vista, cujas negociações começam às 10h, fechou a sexta-feira aos 205.082,56 pontos, após alta de 0,47%.
Pelas regras da bolsa, o circuit breaker é acionado se o Ibovespa cair mais de 10% em relação ao fechamento anterior, com interrupção de 30 minutos. Uma nova queda superior a 15% após a retomada suspende os negócios por uma hora; uma baixa acima de 20% pode levar a nova paralisação.
Perspectiva dos analistas
A principal incerteza do mercado está na política fiscal do quarto mandato de Lula e nas negociações com o Congresso. Investidores buscam sinais concretos sobre o controle de gastos, a trajetória dos juros e a capacidade de conter o prêmio de risco dos ativos brasileiros.
Estrategistas avaliam que a sessão deve ser de ajuste severo de preços, com dólar em alta, bolsa em queda e pressão sobre os juros futuros. Ao mesmo tempo, há expectativa de estabilização gradual caso o governo reforce compromissos fiscais e o Banco Central mantenha postura cautelosa.
‘Circuit breaker’- Botão do pânico
Às 10h03 desta segunda-feira (26), as negociações do Ibovespa (IBOV) foram suspensas devido ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações com o objetivo de evitar uma forte derrocada da bolsa. Hoje, o mercado digere a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais.
O “botão do pânico” é acionado quando o principal índice da bolsa brasileira registra queda superior a 10%, o que causa uma interrupção nas negociações por 30 minutos.
Caso as perdas cheguem a 15% após as negociações voltarem, há suspensão por uma hora. Quando há queda de 20%, as negociações são suspensas por tempo indeterminado — a B3 pode, inclusive, encerrar o pregão de maneira antecipada.
Vale pontuar que essas regras se referem ao mercado à vista. No mercado futuro, a B3 ampliou, de forma excepcional nesta segunda-feira (26), de 10% para 15% o limite de queda do Ibovespa futuro e do mini-Ibovespa futuro. Por volta de 10h33(de Brasília), deve haver uma nova tentativa de negociações







