Incertezas sobre tarifas e dados econômicos internos impactam cotação da moeda americana
Nesta quinta-feira, o dólar atingiu uma máxima de R$ 5,8370 pela manhã e fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,8287, o maior valor de fechamento desde 31 de janeiro (R$ 5,8366). Este foi o segundo pregão consecutivo de valorização da moeda americana, acumulando uma alta de 1,71% em relação ao real na semana, reduzindo as perdas de fevereiro para 0,14%. No acumulado do ano, o dólar apresenta uma queda de 5,69%.

Cotações do dólar
Dólar comercial
Compra: R$ 5,829
Venda: R$ 5,829
Dólar turismo
Compra: R$ 5,854
Venda: R$ 6,034
Fatores que vem influenciando a cotação do dólar
A recente valorização do dólar está associada a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possível imposição de tarifas à Europa e novos adiamentos nas tarifas planejadas para Canadá e México, gerando incertezas nos mercados financeiros. Investidores questionam a seriedade dessas declarações, considerando-as, em alguns casos, mais como táticas de negociação do que medidas concretas.
Embora o dólar tenha recuado globalmente neste ano, em parte devido à diminuição dos temores relacionados a tarifas, há espaço para movimentos de recuperação, que ganharam força nesta semana.
No cenário doméstico, agentes financeiros demonstram preocupações com a trajetória da inflação e o compromisso do governo em equilibrar as contas públicas. Dados recentes sobre preços e emprego, especialmente o relatório de criação de vagas formais divulgado recentemente, têm deixado os investidores mais pessimistas em relação ao cenário econômico brasileiro para este ano, em meio à percepção de inflação crescente e um mercado de trabalho ainda robusto.
Na manhã desta quinta-feira, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego aumentou para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, ante 6,2% no trimestre até outubro. Embora essa alta seja atribuída principalmente a efeitos sazonais, a taxa ficou ligeiramente abaixo dos 6,6% previstos por economistas em pesquisa da Reuters.
Em relação aos preços, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou mais do que o esperado em fevereiro, registrando alta de 1,06% após um avanço de 0,27% no mês anterior, conforme informado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.
Esses fatores combinados contribuem para a volatilidade e a tendência de alta na cotação do dólar observada nesta semana.