O dólar abriu o dia em alta, enquanto a Bolsa oscila para baixo nesta semana decisiva para o tarifaço dos Estados Unidos.

A partir de quinta-feira (1º), entra em vigor a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Enquanto Europa e China encontram soluções temporárias, o Brasil não avança nas negociações. A semana também é marcada pela “superquarta”, com decisões de juros no Brasil e nos EUA, além de balanços de Vale e big techs.
O que está acontecendo
Às 10h24 o dólar avançava 0,41%, vendido R$ 5,584. Na primeira hora de negociação, a moeda norte-americana chegou a bater R$ 5,59, na sequência recuou, mas vem mantendo a alta. O dólar turismo também avança 0,42%, cotado a R$ 5,804.
O dólar fechou com alta de 0,75%, vendido a R$ 5,561 na sexta-feira (25/07). Mas, apesar da valorização no último pregão, a moeda americana fechou a semana passada em queda. A depreciação acumulada é de 0,47% frente ao real.
Bolsa de Valores opera instável. O principal índice acionário da Bolsa de Valores abriu o dia em leve alta, mas vem caindo. Às 10h34, o Ibovespa recuava 0,25%, aos 133.191 pontos. Às 14h10 (Brasília) a Bovespa operava em queda de 0,92% com 132.294,81 pontos. E o dólar permanecia em alta de 0,53% cotado em R$5,591.
Na última semana o índice subiu 0,11%. Na sexta, porém, o índice recuou 0,21%, aos 133.524 pontos, distante da máxima do dia, de 134.204 pontos.
De olho no tarifaço
Foco do mercado segue nas tarifas comerciais dos EUA. Ontem (27/07), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um novo acordo comercial com a União Europeia. Pelo acerto, a maioria dos produtos europeus exportados aos EUA, incluindo automóveis, itens industriais e agrícolas, passará a pagar uma tarifa de 15%.
Em paralelo ao acordo com a UE, os EUA e a China decidiram prorrogar por mais 90 dias a atual trégua tarifária, vigente até 12 de agosto. A extensão, que valerá até meados de novembro, foi acertada às vésperas da nova rodada de negociações comerciais em Estocolmo.
Enquanto Europa e China encontram soluções temporárias, o Brasil não avança nas negociações. A partir desta quinta, os produtos brasileiros passarão a enfrentar uma tarifa de 50% para entrar nos EUA. O governo brasileiro tenta evitar a medida por meio de negociações diplomáticas e recursos jurídicos, mas o presidente Trump já deixou claro que só discutirá uma possível reversão após a medida estar em vigor.
O chanceler Mauro Vieira está nos EUA nesta semana para uma conferência da ONU. Até o momento não há previsão de que a autoridade irá à capital americana, em Washington, para se encontrar com autoridades do governo a fim de dialogar sobre o tarifaço.
Semana cheia para o mercado financeiro
Além das negociações, nesta semana o destaque doméstico é a reunião de política monetária do Banco Central, o Copom. A expectativa, de acordo com economistas do banco Daycoval, é de que o BC mantenha a taxa de juros inalterada em 15%. O principal ponto que o mercado observará, no entanto, é como o comitê avaliará o cenário externo, em especial os desdobramentos da guerra comercial sobre o Brasil.
“Super quarta”.
As atenções do mercado também permanecem voltadas para a decisão de política monetária nos EUA. Os economistas avaliam que a taxa de juros no país deve ser mantida no patamar atual, mas decisão pode não ser unânime.
Temporada de balanços: Itaú, Bradesco, Vale e Santander são destaques. A temporada de resultados do segundo trimestre também entra em uma fase decisiva nesta semana, com destaque para as divulgações de Telefônica Brasil (VIVT3), Bradesco, Vale, Ambev, Santander e TIM entre hoje e o fim da semana. Hoje, após o fechamento do mercado, a Telefônica abre os trabalhos, com expectativa de crescimento no Ebitda impulsionado pelos reajustes em planos pós-pagos.
Analistas acompanham de perto os efeitos da Selic elevada, do dólar volátil e dos preços das commodities sobre os lucros. O desempenho de setores como telecom, bancos, bebidas e mineração será fundamental para calibrar as expectativas do mercado para o segundo semestre. Os números dessas gigantes da B3 devem influenciar o humor dos investidores e oferecer pistas sobre o ritmo da economia em meio ao cenário de juros altos e tensões comerciais.
Do lado da inflação, será divulgado o IGP-M de julho e a expectativa é de nova deflação (-0,75%), segundo o Daycoval. Com relação à atividade econômica os principais destaques serão: ainda hoje, o Banco Central publica os dados de crédito referentes a junho.
Na quarta-feira, será divulgado o saldo de empregos formais do CAGED de junho, para o qual projetamos criação líquida de 179,5 mil vagas, indicando possível recuperação frente ao mês anterior. Na quinta- feira, o IBGE divulga a taxa de desemprego da PNAD Contínua de junho, com estimativa de queda para 6,0%. Enquanto que na sexta-feira, sai a Produção Industrial de junho.








