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Campo Grande, 26 de outubro de 2026

Com 35 bebês internados, HRMS pede doação de leite materno

  • 19 de fevereiro, 2024
  • Cidades, Geral
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O Banco de Leite do hospital tem 30 doadoras cadastradas, mas o ideal seria ter o dobro de doações

No momento, 35 bebês estão internados na UTI Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva) do HRMS (Hospital Regional Rosa Pedrossian), em Campo Grande. O nascimento antes da hora requer cuidados especiais para o desenvolvimento dos prematuros até a tão esperada alta hospitalar, incluindo alimentação com o leite materno, mas os estoques estão em baixa.

O Banco de Leite do hospital conta atualmente com 30 doadoras cadastradas. O ideal seria o dobro, cenário que a técnica responsável pela pasteurização não vê há 15 anos.

A técnica responsável pela pasteurização Rosimeire Souza Rodrigues, mostra geladeira praticamente vazias

Rosimeire Souza Rodrigues, conhecida como dona Rose, desenvolve a função há mais de duas décadas e lamenta ter visto as doações caírem tanto. “Chegamos a ter uma única mãe doando 3 litros por semana”, lembra.

As gavetas do refrigerador onde ficam armazenadas as doações estão quase todas vazias. Para a enfermeira responsável pelo banco, Nívea Lorena Torres, o principal entrave ainda é a desinformação.

“O ideal é conversar sobre aleitamento materno durante o pré-natal, mas apenas 40% das pacientes que atendemos fazem acompanhamento com a gente antes do parto. O restante é demanda espontânea. Após o nascimento dos bebês fica mais difícil trabalhar a conscientização”, explica.

Nívea Torres, enfermeira responsável pelo Banco de Leite Humano do HRMS (Foto: Divulgação)

Ela lembra que é preciso oferecer também um apoio emocional por conta de uma série de outras questões envolvidas. Existem muitas preocupações após o parto, mães preocupadas com filhos que deixaram em casa, por exemplo.

De acordo com a enfermeira, um litro de leite humano pode alimentar até 10 bebês na UTI Neonatal por dia. “Com os estoques em baixa é preciso fazer escolhas de quais bebês precisam mais. Aí complementamos com as fórmulas, mas o ideal era ter a quantidade necessária para todos”, lamenta.

O leite humano é importante para o desenvolvimento dos recém-nascidos porque contém todos os nutrientes necessários, além de ser rico em anticorpos que fortalecem o sistema imunológico e previnem infecções.

A médica neonatologista Bianca Stavis Conte vivencia a angústia das mães que acompanham os filhos prematuros internados no hospital e a comemoração a cada ganho de peso dos bebês.

Ela explica que entre as tantas vantagens do leite humano está a prevenção à doença do intestino prematuro, chamada enterocolite.

“O leite materno tem anticorpos que nenhuma fórmula tem. A fórmula imita o leite, mas não tem as propriedades imunológicas dele. É mais difícil de ser digerida. Trata-se de uma opção. Não é o ideal”, explica.

A dona de casa Guaracyara Nascimento dos Santos, de 31 anos, acompanha a filha prematura Eloah Vitória internada no Hospital Regional desde que nasceu em 22 de janeiro. Os outros dois filhos estão em Aquidauna, cidade onde a família mora. A caçula nasceu com 30 semanas de gestação e se alimenta do leite da mãe que também doa para outros bebês.

Guaracyara Nascimento dos Santos, uma das doadoras do Banco de Leite do HRMS (Foto: Álvaro Rezende)

“Vejo os avanços no desenvolvimento da minha filha com o leite materno e ser uma doadora é um ato de amor. É preciso estímulo, perseverança, não podemos desistir. Os bebês são guerreiros”, diz emocionada, com os olhos cheios de lágrimas.

No leito quase ao lado de Guaracyara, está outra mãe, a jovem Letícia Barreto da Silva, de 18 anos. Ele deu à luz duas meninas, Heloa e Eloísa. As gêmeas nasceram de 35 semanas no dia 9 deste mês. A mãe está amamentando e comemora o desenvolvimento das filhas: “elas estão ganhando peso, já engordaram bastante”.

Quem se interessar em doar deve entrar em contato com o Banco de Leite Humano do Hospital Regional pelo número (67) 3378-2715. Presencialmente ou por este contato são repassadas todas as orientações para as doadoras fazerem um cadastro. A partir daí a unidade móvel de captação percorre uma rota semanal para fazer a coleta das doações.

 

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