Estado registrou 24 suspeitas em 2026, mas 23 foram descartadas; segunda dose da tríplice viral está abaixo da meta em meio a surtos na Bolívia.

Mato Grosso do Sul mantém um caso suspeito de sarampo em investigação, entre 24 notificações registradas em 2026. Os demais 23 foram descartados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), que divulgou o balanço nesta sexta-feira (23/10).
O alerta ocorre em um cenário de avanço da doença nas Américas, com surtos na Bolívia, país vizinho a MS, e em outros territórios. A secretaria orienta famílias, adolescentes e adultos a verificarem se o esquema vacinal está completo.
Cobertura da segunda dose preocupa
A maior preocupação está na segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Até 1º de setembro, Mato Grosso do Sul registrava cobertura de 81,79% na segunda aplicação, abaixo da meta de 95% recomendada para impedir a circulação sustentada do vírus.
A primeira dose alcança 97,10% no Estado, índice acima da meta. A segunda aplicação é necessária para completar a proteção, que ultrapassa 97% quando o esquema vacinal está concluído.
Fronteira com a Bolívia concentra risco
A situação é mais delicada nos municípios próximos à fronteira com a Bolívia, que enfrenta um surto de sarampo. Em Corumbá, a cobertura da segunda dose é de 75,33%; em Ladário, de 64,53%, conforme dados do Ministério da Saúde.
Outras cidades também estão abaixo da meta: Amambai registra 67,76%, Itaquiraí 59,06%, Corguinho 56,25% e Coronel Sapucaia 65,81%. Em Campo Grande, o índice é de 78,54%.
Situação no Brasil e nas Américas
O Brasil confirmou 61 casos de sarampo em 2026 até 19 de outubro, distribuídos em São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e Acre. Os casos estão relacionados a importações ou a surtos, e não indicam retorno da transmissão endêmica no país.
Nas Américas, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) registrou 55.792 casos confirmados e 77 mortes entre 4 de janeiro e 3 de outubro, em 17 países e territórios. O número representa aumento de quase cinco vezes em relação ao mesmo período de 2025.

Sintomas e orientação
O sarampo é altamente contagioso e se transmite pelo ar, por meio de tosse, espirros, fala ou respiração de pessoas infectadas. Os primeiros sintomas costumam surgir entre 7 e 14 dias após o contato com o vírus.
Os principais sinais são febre alta, tosse persistente, coriza, conjuntivite, mal-estar, manchas brancas na parte interna da boca e manchas vermelhas na pele, que começam no rosto e se espalham pelo corpo. A doença pode evoluir para complicações graves, como pneumonia e encefalite.
Quem apresentar sintomas suspeitos deve procurar atendimento médico, informar viagens recentes ou possível contato com casos confirmados e reduzir o contato com outras pessoas.
Ações de vacinação em MS
Para ampliar a proteção, a SES realizou, em setembro, treinamento sobre sarampo com representantes dos 79 municípios do Estado. Em outubro, a campanha de multivacinação aplicou 84.439 doses, das quais cerca de 4,2 mil foram da tríplice viral, somando primeira e segunda doses.
Entre 3 e 13 de novembro, a campanha Aluno Imunizado levará vacinação a escolas municipais, estaduais e particulares, além de emitir a DVA (Declaração de Vacinação Atualizada). Nos territórios indígenas, segue em andamento a aplicação da dose zero em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, medida de proteção adicional que não substitui as doses do calendário regular.
A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo SUS. Crianças devem receber a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses; pessoas de até 29 anos precisam comprovar duas doses, enquanto quem tem de 30 a 59 anos deve ter pelo menos uma aplicação registrada.









