Menino de 11 anos morre após engasgo e caso vira alvo de divergências entre família e Sesau.

Pedro Gabriel Santos da Silva, de 11 anos, morreu na noite de quarta-feira (04/11), após se engasgar com um pedaço de fígado durante o jantar, no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Segundo relato da família, o menino havia chegado em casa depois de cortar o cabelo e sentou-se para jantar por volta das 21h30, quando o alimento ficou preso em sua garganta.
Parentes perceberam o engasgo e tentaram ajudá-lo a desengasgar. Diante da gravidade do quadro, a família levou Pedro à UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) Jardim Noroeste, em veículo próprio.
O relato da família
A tia da criança afirma que Pedro ainda estava vivo quando chegou à unidade de saúde. Segundo ela, aparentemente não havia médico disponível no momento da chegada, o que motivou questionamentos da família sobre a estrutura e a capacidade de atendimento do posto.
A familiar também relata que a chegada de uma ambulância levou mais de uma hora. De acordo com o relato, durante o atendimento foram feitas tentativas para retirar o alimento das vias aéreas, mas houve sangramento. Pedro não resistiu e morreu após os procedimentos.
A família afirma ter ficado desesperada e questiona se o menino recebeu toda a assistência necessária. As informações sobre a ausência de médico, a demora do Samu e os procedimentos realizados ainda não foram confirmadas oficialmente.

O que diz a Sesau
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) nega que a UBSF Jardim Noroeste estivesse sem médico ou sem equipe preparada para atender a criança. Segundo a Secretaria, três médicos estavam em serviço no momento da ocorrência.
De acordo com a versão oficial, um dos médicos retirou Pedro do veículo da família e iniciou imediatamente o atendimento de emergência. A Sesau afirma ainda que o menino chegou à unidade já desacordado, acompanhado por parentes.
A pasta diz que a equipe adotou todas as medidas assistenciais necessárias, seguindo os protocolos de urgência e emergência. Apesar das tentativas de socorro, Pedro morreu.
Investigação da morte
O caso foi encaminhado ao SVO (Serviço de Verificação de Óbito), responsável pelos procedimentos relacionados à investigação da causa da morte. A Sesau informou que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos.
A Secretaria afirmou que não divulgará detalhes do atendimento, em respeito à família e ao sigilo das informações do paciente. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do engasgo, o atendimento prestado e a causa exata da morte.
Homenagens ao menino
A morte de Pedro deixou familiares, amigos, colegas de escola e moradores do Jardim Noroeste abalados. Nas redes sociais, pessoas que conviveram com o menino publicaram mensagens de carinho, saudade e solidariedade à família.
A tia descreveu Pedro como um menino carinhoso, bondoso e de “coração puro”. Segundo a família, ele gostava de jogar bola depois da escola e era muito querido pelos amigos.
Uma mulher que conheceu Pedro na escola relatou que ele era muito querido. Outra mãe afirmou que o filho era colega de classe do menino e ficou muito abalado ao receber a notícia da morte.
O que ainda precisa ser esclarecido
As versões da família e da Sesau divergem principalmente sobre a presença de médico na unidade e a agilidade do atendimento. Enquanto a família afirma que Pedro chegou vivo ao posto e questiona a estrutura disponível, a Secretaria sustenta que havia três médicos em serviço e que o socorro foi iniciado imediatamente.
Até a conclusão da investigação do SVO, não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre eventuais falhas no atendimento. O caso segue sob apuração.









