Acidente na Avenida Raquel de Queiroz deixa duas vítimas fatais e dois feridos graves na Capital. Crea-MS e MPT-MS apuram falhas de segurança e risco de novo colapso.
Uma estrutura metálica de aproximadamente 14 metros de altura desabou sobre trabalhadores na tarde desta sexta-feira (4), por volta das 14h06, em uma obra na Avenida Raquel de Queiroz, no Jardim Aero Rancho, em Campo Grande (MS). O local é a construção do Supermercado Mister Junior.
Duas mortes confirmadas e feridos em estado grave
O acidente deixou duas vítimas fatais e dois trabalhadores feridos, ambos em estado grave, segundo o Corpo de Bombeiros. As vítimas fatais foram identificadas como Joel Oliveira da Silva, de 41 anos e Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos.
Ambos trabalhavam em altura, usando equipamentos de proteção individual (EPI), quando parte da estrutura de concreto e vigas de aço perdeu sustentação, eles caíram e foram atingidos pelos escombros, morrendo no local.
Os dois feridos foram socorridos pelos bombeiros e encaminhados à ala vermelha da Santa Casa de Campo Grande, unidade de alta complexidade para casos graves. Um deles apresenta fratura no fêmur; ambos são considerados “vítimas potencialmente graves”, mas estavam estáveis após o resgate, conforme o tenente médico André Luiz Jaques, do Corpo de Bombeiros.
Como foi o resgate e o atendimento
A primeira equipe do Corpo de Bombeiros que chegou ao local encontrou quatro homens soterrados entre os escombros da estrutura metálica. Dois já estavam mortos quando os socorristas iniciaram os procedimentos; os outros dois foram retirados com vida e estabilizados no local antes do transporte.
Um deles, identificado como Jonathan Rodrigues Gonçalves, de 29 anos, natural de Sidrolândia, sofreu fratura no fêmur e deu entrada no hospital estável, segundo o Corpo de Bombeiros. O outro ferido, também de Sidrolândia e ainda não identificado oficialmente, apresentou escoriações pelo corpo e foi resgatado consciente e orientado, sendo encaminhado igualmente em estado estável.
Devido ao risco de novos desabamentos, os militares precisaram entrar na área usando equipamentos de proteção individual e adotar procedimentos de contenção para evitar mais tragédias. Os corpos das vítimas fatais permaneceram no local até a conclusão dos trabalhos periciais da Polícia Científica.
Quem escapou da morte
Cerca de dez trabalhadores estavam na obra no momento do colapso, mas apenas quatro foram atingidos diretamente pela queda da estrutura. Os demais escaparam porque estavam em setores ainda não cobertos pela montagem das peças metálicas, segundo relatos colhidos no local.
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Crea-MS e MPT-MS investigam a obra
O Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) enviou equipe ao local e já solicitou ao proprietário da obra documentos como planos de segurança, laudos de inspeção dos equipamentos usados para içar cargas e projetos complementares da construção. A autarquia quer verificar se houve falhas técnicas, de execução ou de fiscalização que possam ter contribuído para o acidente.
Paralelamente, o MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para apurar eventual descumprimento de normas de segurança e saúde no trabalho na construção do supermercado. A perícia da Polícia Científica segue no local e deve concluir a vistoria somente neste sábado, quando poderá indicar causas técnicas do desabamento.
Imagens de câmeras de segurança registram o colapso
Câmeras de segurança de comércios vizinhos flagraram o momento exato em que a estrutura metálica cedeu e caiu sobre os trabalhadores, gerando uma nuvem de poeira e pedaços de material espalhados pela calçada e via. Os vídeos mostram a rapidez do colapso e a dificuldade de reação das pessoas no entorno, reforçando a necessidade de medidas preventivas em obras de grande porte.
Risco de novo desabamento e interdição da área
O tenente médico do Corpo de Bombeiros afirmou que a estrutura remanescente, de cerca de 14 metros, ainda apresenta risco de novos desabamentos, o que levou à interdição cautelar do entorno e à restrição de acesso de pessoas não envolvidas nas operações de resgate e perícia. A área segue monitorada por equipes de bombeiros e policiais militares até a retirada completa dos elementos instáveis.
Próximos passos das investigações
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul aguarda o laudo pericial para definir as causas do acidente e, a partir dele, poderá abrir inquérito policial para apurar responsabilidades civis e criminais. O Crea-MS deve emitir parecer técnico sobre a obra, que poderá embasar ações administrativas e judiciais contra responsáveis pela construção.
Enquanto as investigações avançam, familiares das vítimas e colegas de trabalho aguardam informações oficiais sobre as circunstâncias do desabamento e sobre eventuais medidas de apoio às famílias afetadas.
O que disse o CREA-MS
“O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) informa que, assim que tomou conhecimento do colapso da estrutura ocorrido em uma obra na Avenida Rachel de Queiroz, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande, destacou imediatamente uma equipe para fiscalizar in loco.
A ação do Conselho tem como objetivo apurar a fase em que a obra se encontrava, quais atividades estavam sendo executadas no momento do colapso e se contava com os devidos responsáveis técnicos habilitados pelo Crea-MS.
O Crea-MS esclarece que, em obras desse porte, que envolvem a execução e montagem de estruturas de concreto pré-moldado e metálicas, é obrigatória a existência de projetos de engenharia que antecedam e orientem a execução, incluindo, entre outros, o projeto estrutural.
A responsabilidade técnica deverá abranger as etapas pertinentes à elaboração dos projetos, à execução e montagem das estruturas, aos estudos necessários, inclusive quanto às ações dos ventos, bem como aos projetos e medidas relacionados à segurança do trabalho.
Cada uma dessas atividades exige, obrigatoriamente, o registro da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que define, para os efeitos legais, os profissionais e empresas responsáveis pelos serviços executados.
Em visita ao local na tarde desta sexta (4/9), a equipe de fiscalização constatou que a obra estava sendo executada por empresa de engenharia registrada no Crea, com responsável técnico e o registro da ART de projeto e execução.
O Crea aguarda mais informações que foram solicitadas ao proprietário, referentes aos planos de segurança do trabalho, laudos de inspeção dos equipamentos de içamento de cargas, além dos projetos complementares da obra.
Após o levantamento em campo, as informações e dados coletados pela fiscalização serão encaminhados aos conselheiros da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-MS para análise técnica. Caso sejam constatadas irregularidades ou indícios de imperícia, imprudência ou negligência por parte dos profissionais envolvidos, o caso será remetido à Comissão de Ética do Conselho para apuração de eventuais infrações ao Código de Ética Profissional, e também enviado a autoridade policial para subsidiar investigações.
A equipe de fiscalização segue em campo reunindo dados complementares para a conclusão do relatório final, que pode subsidiar a condução do trabalho de demais instituições envolvidas na apuração das responsabilidades. O Crea-MS reitera seu compromisso com a segurança da sociedade por meio da exigência de profissionais responsáveis técnicos.”






