Aviso atualizado em agosto de 2026 inclui recomendação de não viajar a até 160 km das divisas com Paraguai e Bolívia; documento cita crimes violentos, atuação de organizações criminosas e golpes com sedação.

O governo dos Estados Unidos elevou para o nível máximo de alerta uma extensa faixa de Mato Grosso do Sul e recomendou que cidadãos norte-americanos não viajem para áreas localizadas a até 160 quilômetros das fronteiras terrestres do Brasil com países vizinhos, incluindo Paraguai e Bolívia. A atualização do aviso de viagem, divulgada no final de agosto de 2026, passa a mencionar explicitamente o risco de sequestro no país.
A classificação “nível 4 – não viaje” foi atribuída às fronteiras internacionais terrestres devido a crimes e sequestros. Funcionários do governo dos EUA que atuam no Brasil precisam de autorização especial para entrar nessa faixa de 100 milhas (160 km) a partir das divisas com Bolívia, Paraguai e outros países.

Cidades de MS na zona de alerta
O alerta atinge grande parte das regiões Sul e Oeste de Mato Grosso do Sul, onde estão municípios como Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo, entre outros. A orientação é evitar deslocamentos nessas áreas por qualquer motivo.
O texto do Departamento de Estado dos EUA afirma que a restrição não se aplica a viagens para Foz do Iguaçu e para o “Pantanal”. No entanto, a exceção refere-se especificamente ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, localizado em Poconé, no Mato Grosso. Portanto, destinos do Pantanal sul-mato-grossense, como Corumbá e Ladário, continuam incluídos na faixa de risco.
Campo Grande, por sua vez, está fora do raio de 160 quilômetros e não entra na lista de áreas de nível 4. Mesmo assim, municípios que não ficam exatamente na linha de fronteira podem ser alcançados pelo raio estabelecido no aviso.
Crimes violentos e atuação de organizações criminosas
Segundo o governo norte-americano, crimes violentos — como assassinatos, roubos armados e furtos de veículos — podem ocorrer de dia ou à noite nas áreas de fronteira. O documento também menciona a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas como um dos fatores de risco.
Em Mato Grosso do Sul, operações de segurança na faixa de fronteira têm sido frequentes. Recentemente, o Exército conduziu a Operação Jaguaretê-Oeste, que reuniu mais de 600 militares e alcançou cerca de 822 quilômetros de faixa de fronteira, com foco em Corumbá e na divisa com a Bolívia, resultando em apreensões e prejuízos estimados em R$ 66 milhões ao crime organizado.
Além disso, o combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e à CV (Comando Vermelho) virou prioridade em ações integradas na fronteira, com apoio de autoridades bolivianas e menção a cooperação com os EUA, segundo reportagens locais.
Outras áreas de risco no Brasil
O alerta dos EUA não se restringe a Mato Grosso do Sul. Quatro regiões administrativas do Distrito Federal — Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá — também foram incluídas no nível máximo de risco, com recomendação de não entrar nesses locais entre 18h e 6h. O documento usa a expressão “cidades satélites”, termo que deixou de ser usado oficialmente no DF.
O aviso também desaconselha visitas a favelas, mesmo com guias turísticos, e aponta riscos em diversas situações cotidianas para turistas em todo o Brasil.
Recomendações detalhadas para viajantes
O texto funciona quase como um manual de sobrevivência para quem pretende visitar o Brasil. Entre as orientações, estão:
-Evitar favelas, mesmo com guias turísticos;
-Não usar ônibus municipais;
-Não frequentar praias após escurecer;
-Evitar bares e boates sem companhia;
-Não fazer trilhas em locais isolados;
-Vigiar o próprio copo em bares e restaurantes;
-Desconfiar de encontros marcados por aplicativos de relacionamento;
-Não reagir a assaltos.
O comunicado ainda aconselha que viajantes combinem com familiares uma rotina de mensagens e ligações para confirmar que continuam seguros. O motivo alegado é o risco de assassinatos, roubos armados, furtos de veículos, sequestros, atuação de organizações criminosas e golpes nos quais as vítimas são sedadas.
Como o alerta é classificado
O Departamento de Estado dos EUA utiliza uma escala de quatro níveis para orientar cidadãos sobre viagens internacionais:
-Nível 1: exerça precauções normais;
-Nível 2: exerça maior cautela;
-Nível 3: reconsidere viajar;
-Nível 4: não viaje.
No caso do Brasil, o país está classificado como nível 2 (“exerça maior cautela”) de forma geral, mas com áreas específicas — como as faixas de fronteira e algumas regiões do DF — em nível 4.
O número para emergências de cidadãos dos EUA fora do horário de funcionamento no Brasil é +55 (61) 3312-7400, e o e-mail de contato é BrasiliaACS@state.gov.






